Ovos
coloridos enfeitam os supermercados, as lojas de departamentos e até
as pequenas barracas de confeitos nas portas dos colégios. As
crianças ficam loucas para receberem e devorarem de uma só
sentada esses chocolates que encantam os olhos da meninada de hoje.
Quando eu era menina não havia nada disso. Doce na semana santa
era até proibido. A criançada participava dos eventos
da matriz e sabia exatamente o que representava a palavra Páscoa.
A programação da quaresma, bem extensa trazia uma reflexão
do significado da época. Cada semana o sermão representava
uma passagem bíblica, o catecismo, nas tardes de domingo, era
imperdível e saber exatamente cada símbolo colocado no
altar na semana santa era obrigatório. Muitas eram as perguntas:
- Porque se cobrem os santos da igreja de roxo? E a matraca? Se f mais
bonito os sinos tocam mais bonito? E aquela música tocada pelo
sax de Prof. Zé Puluca? Talvez a única oportunidade que
muita gente tinha de ouvir uma música clássica, mesmo
que fosse a macha fúnebre.
Mas hoje tudo é diferente. A tecnologia tomou conta das famílias
e já temos até babá eletrônica vigiando o
sono de nossas crianças. Os pais ensinam muito pouco aos filhos,
“pois a escola é quem deve passar essas informações”,
afinal eles pagam muito dinheiro e eles, os professores, precisam fazer
alguma coisa, se não informam sobre religião, é
porque não tem tanta importância assim... Afinal no vestibular
eles não respondem nenhuma questão desse tipo!
E as crianças crescem, tornam-se jovens, depois adultos e assim
por diante... Sem saber afinal qual o verdadeiro símbolo da páscoa
e o seu significado.
Mas o coelhinho que bota ovos de chocolate povoa o imaginário
infantil está lá e desvirtua a concepção
religiosa do fato.
- Que geração estaremos formando com essa inversão
de conceitos e valores?