Acadêmica Celina Ferro
   
Celina Ferro
 

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PÁSCOA!

 

Ovos coloridos enfeitam os supermercados, as lojas de departamentos e até as pequenas barracas de confeitos nas portas dos colégios. As crianças ficam loucas para receberem e devorarem de uma só sentada esses chocolates que encantam os olhos da meninada de hoje.

Quando eu era menina não havia nada disso. Doce na semana santa era até proibido. A criançada participava dos eventos da matriz e sabia exatamente o que representava a palavra Páscoa. A programação da quaresma, bem extensa trazia uma reflexão do significado da época. Cada semana o sermão representava uma passagem bíblica, o catecismo, nas tardes de domingo, era imperdível e saber exatamente cada símbolo colocado no altar na semana santa era obrigatório. Muitas eram as perguntas:

- Porque se cobrem os santos da igreja de roxo? E a matraca? Se f mais bonito os sinos tocam mais bonito? E aquela música tocada pelo sax de Prof. Zé Puluca? Talvez a única oportunidade que muita gente tinha de ouvir uma música clássica, mesmo que fosse a macha fúnebre.

Mas hoje tudo é diferente. A tecnologia tomou conta das famílias e já temos até babá eletrônica vigiando o sono de nossas crianças. Os pais ensinam muito pouco aos filhos, “pois a escola é quem deve passar essas informações”, afinal eles pagam muito dinheiro e eles, os professores, precisam fazer alguma coisa, se não informam sobre religião, é porque não tem tanta importância assim... Afinal no vestibular eles não respondem nenhuma questão desse tipo!

E as crianças crescem, tornam-se jovens, depois adultos e assim por diante... Sem saber afinal qual o verdadeiro símbolo da páscoa e o seu significado.

Mas o coelhinho que bota ovos de chocolate povoa o imaginário infantil está lá e desvirtua a concepção religiosa do fato.

- Que geração estaremos formando com essa inversão de conceitos e valores?

G