Celina Ferro
 

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Marlúcia ou Marluce?

 

 

Marluce Ferro como todos a conheciam desde criança foi o xodó da família, pois foi uma criança muito esperada pelos pais e seu encantamento e de sua altivez, quando criança cativava a todos.


Depois de muitos irmãos, nasce à pequena Marlúcia para realização dos sonhos de seus pais, Benício e Tercília.


Cresceu cercada por muito carinho e muitos cuidados, freqüentando o Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, onde cursou os estudos até a formatura em 1959, o normal rural, curso que preparava as professoras naquela época.


Formando-se aos 17 nos de idade, no dia 08 de dezembro de 1959 e o curioso é que naquele tempo , não recebia o diploma por ser menor de idade, e na solenidade ela e outra colega, devolveram o diploma no final da solenidade, diante de todos os presentes, ido receber no final do mês de janeiro quando completou 18 anos.


Marlúcia sempre foi muito dinâmica e dedicada a tudo que fazia, chegando a esquecer dela mesma para se dedicar as causas que abraçava.


Foi assim quando foi convocada para trabalhar pela construção da casa paroquial. Ela e outras pessoas da sociedade formaram um grupo para conseguir recursos e foram muitos os eventos, como bingos, pedágio, comissões e viagens para edificar a residência do pároco. Também trabalhou muito nas promoções para a construção do clube dos trinta, onde muitos bonconselhenses dedicaram anos e mais anos para proporcionar a cidade de uma sede social digna de nosso povo.


E as festas de São Sebastião, as causas da Mãe Rainha e da Virgem dos Pobres? Esta última não teve tempo de realizar o grande sonho, construir a capelinha na Boa Vista.


Marlúcia doou-se durante sua vida de forma integral a tudo e a todos, pois se preocupava também com as crianças que viviam na rua e junto com outras senhoras da cidade criaram o Lar São Sebastião apoiada por muitos da sociedade.


Na educação Marlúcia foi professora municipal, quando dava aulas em uma garagem construída ao lado da sua casa no corredor (rua Agamenon Magalhães, 558) depois, aprovada em concurso no início dos anos 60 foi nomeada para a antiga Escolas Reunidas Agamenon Magalhães, mais tarde foi transferida para a Escola Mestra Beatriz, onde fez parte da equipe fundadora. Foi professora do Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, do Colégio Estadual Frei Caetano e do extinto Colégio Cenecista Souto Filho.


Formada em geografia dedicou-se ao ensino da disciplina por algumas décadas, e em 1980 é aprovada em primeiro lugar, no concurso de Alagoas indo lecionar geografia, também em Palmeira dos Índios, até o dia que foi afetada pela doença cardíaca que afastou-a da vida ativa que levava.


Marlúcia trabalhou incansavelmente durante toda a sua vida, pois mesmo depois de doente dedicou-se inteiramente as obras da igreja, onde teve seu encontro com DEUS.


Marlúcia, também, dedicou-se à família plenamente após a morte de seu pai e recolheu sob sua responsabilidade 16 crianças e jovens criando-os e orientando-os para a vida, 8 irmãos e 8 primos e outros parentes que a procuravam na intenção de estudar. Não deixava faltar nada aos irmãos, pois sempre dava um jeitinho para ajudar a todos.


Faleceu aos 60 anos de idade vítima do cigarro que acabou com o seu coração e seus pulmões, deixando em todos nós a saudade e o exemplo de união como herança. E se viva fosse, estaria completando 70 anos neste mês de janeiro. Em outubro completará 10 anos de saudade...


Em breve ela estará recebendo a homenagem de ser a patronesse do Centro de Educação Infantil Professora Maria Marlúcia Correia Ferro, homenagem feita por uma de suas ex-alunas a Vereadora Ivete que contou com o apoio de toda a câmara de vereadores e a sensibilidade da Prefeita Judith Alapenha que sancionou a lei que lhe confere a homenagem.


Neste momento quero agradecer a todos que fazem a Casa Dantas Barreto e a Prefeita de Bom Conselho pela honraria recebida por nossa família.


Acredito que lá de onde ela está, continua olhando por todos os que ela amou e dando boas gargalhadas pelas coisas engraçadas que ocorrem aqui nesta esfera.

 

Um abraço da papacaceira, que se orgulha da terra onde nasceu.
Celina Ferro

 

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