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Era
assim... Que Saudade!
Era
assim... Que Saudade!
A idade nos torna saudosistas.
Saudade de tantas coisas que ficaram perdidas no passado e que teimam
em retornar à memória de forma quase fotográfica.
Sinto saudade dos dias de escola, quando ainda jovem desfilava pelas ruas
da cidade e realizava acrobacias de baliza à frente da banda do
São Geraldo.
Saudade dos bilhetes escritos nas carteiras escolares, uma correspondência
que durou quase um ano letivo inteirinho, religiosamente um recado era
deixado todos os dias e também respondidos dando inicio e alimentando
o primeiro amor...
Saudade das festas de São Sebastião, dos barcos de Aristeu,
do serviço de som das barracas com as músicas do último
disco de Roberto Carlos...
Saudade dos “assustados” ao som de uma radiola e de bons discos,
digo, LP de vinil... Saudade das pescarias improvisadas em caixas de papelão
e pó de serra, onde se colocava uns peixes de papelão...
Saudade do amor da adolescência, dos beijos no escurinho do cinema...
Saudade dos bons amigos que já se foram, uns quase crianças,
outros jovens, de forma trágica...
Saudade da manga rosa, roubada das mangueiras do sítio de Álvaro
Tenório e das ameaças de tiro de sal...
Saudade das azeitonas do sítio de Dedé Marinho...
Saudade do Laticínio Santa Maria, do movimento de carros e caminhões,
no vai e vem para a Boa Vista...
Saudade da escola de bordado onde Maria José e Gildete Pimentel
ensinavam os pontos: cheio e matizes em toalhas e peças de enxoval
de noivas e de bebê e a tarde funcionava a escola das professoras
Djalma e Maria Aurélia...
Saudade da mercearia de Zé Eudóxio , onde se esperava as
passagens dos ônibus...
Saudade dos sapatos modelo colegial feitos à mão por Firmino,
Felino ou Zé Catingueira, o importante era está com a farda
completa e desfilar no dia sete...
Saudade das pregações de Frei Leão, das festas missões
de Frei Damião, das missas, das procissões e da semana santa
de Padre Alfredo...
Saudade dos invernos frios com muita chuva, que usava capas, casacos pesados
e galochas....
Saudade dos verões quentes com vaquejadas animadas com bailes e
concurso de rainha...
Saudade dos Pastoris de Maria Francisca, que morria de vontade de participar,
mas nunca fui convidada...
Saudade dos ensaios para a festa de Rosângela Margaret, a boneca
de Lilá Vilanova...
Saudade da barraca de Seu Belon e de seus tamancos bonitos...
Saudade dos bailes no Clube dos Trinta animados por Zé Puluca...
Saudade dos passeios na praça dia de domingo, ritual de muita importância
para as moças casamenteiras...
Saudade do ônibus e de “Silvestre”, que salvavam os
estudantes que moravam em Recife...
Saudade das serenatas de Paulo Índio, Tonho de Raul e de Pedro
Ramos...
Saudade da identidade bucólica que encantava a juventude de meu
tempo...
Saudade de uma cidade que vivi e que agora tem uma nova cara, pois não
encontramos os velhos amigos, os velhos hábitos e a antiga paisagem...
Que levado pelo tempo e em nome do progresso apagou muita coisa... Era
assim... Que saudade!
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