Acadêmica Celina Ferro
   
Celina Ferro
 

---------------------------------------------------------------------------

Cinema, uma grande paixão.

 

 

- Vamos ao cinema hoje à noite?
- E com esta frase, já era bastante para se iniciar uma paquera ou mesmo um namoro.
Naquele tempo do Cine-Teatro Rex e mais tarde, o Cine Brasília, ir ao cinema acompanhado ou sentar lado a lado, durante a seção era o suficiente para um grande passo em direção a uma estória de amor. Foi assim durante muitos anos. Filmes e mais filmes, românticos, aventuras, policiais, bang bang e os famosos seriados, além de muitos outros, quaisquer que fossem, teria o público garantido.
O velho cinema Rex com sua construção majestosa imperava naquela ladeira, carregado de estórias. Contam os mais velhos que Lampião teria assistido a vários filmes naquela casa de espetáculo acompanhado do saudoso Coronel. José Abílio, pois o referido Coronel teria protegido os irmãos de Lampião em suas terras, ficando assim amigo do mesmo e defendendo nossa cidade de possíveis ataques.
Das minhas recordações, ficaram nítidas a suas colunas brancas que as minhas lembranças e fantasias infantis, eu as comparava a entrada de um palácio gótico romano, tamanho era o meu fascínio diante delas.
As escadarias, o balaústre, o parapeito e até mesmo as cadeiras, muito pequeno e sem conforto, por sinal distribuído pelas escolas municipais, tempos depois. Lembro-me de algumas colocadas na antiga escola de bordado.
Quando não se quer, qualquer desculpa serve e não era querido o antigo prédio construído pelo Coronel, fazia concorrência ao cinema novo, construído dentro de padrões modernos, com tela quase panorâmica. E assim em nome do progresso foi demolido este tão querido prédio rico em arquitetura alegando-se que o mesmo se encontrava fora de alinhamento da rua.
- Quantas coisas por este Brasil a fora não é destruído em nome do progresso?
- Floresta prédios, cidades e até vidas humanas sucumbidas...
Hoje quase não se vai ao cinema, em nossa terra é coisa do passado, ver um bom filme transformou-se em ver um DVD na sala de casa em uma televisão, mas não é a mesma coisa...
O encanto da “telenona”, o movimento de pessoas, o cheiro da pipoca, e os casais de namorados, que apesar do tempo passado ainda aproveitam o escurinho do cinema.

 

G