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Cinema,
uma grande paixão.
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Vamos ao cinema hoje à noite?
- E com esta frase, já era bastante para se iniciar uma paquera
ou mesmo um namoro.
Naquele tempo do Cine-Teatro Rex e mais tarde, o Cine Brasília,
ir ao cinema acompanhado ou sentar lado a lado, durante a seção
era o suficiente para um grande passo em direção a uma estória
de amor. Foi assim durante muitos anos. Filmes e mais filmes, românticos,
aventuras, policiais, bang bang e os famosos seriados, além de
muitos outros, quaisquer que fossem, teria o público garantido.
O velho cinema Rex com sua construção majestosa imperava
naquela ladeira, carregado de estórias. Contam os mais velhos que
Lampião teria assistido a vários filmes naquela casa de
espetáculo acompanhado do saudoso Coronel. José Abílio,
pois o referido Coronel teria protegido os irmãos de Lampião
em suas terras, ficando assim amigo do mesmo e defendendo nossa cidade
de possíveis ataques.
Das minhas recordações, ficaram nítidas a suas colunas
brancas que as minhas lembranças e fantasias infantis, eu as comparava
a entrada de um palácio gótico romano, tamanho era o meu
fascínio diante delas.
As escadarias, o balaústre, o parapeito e até mesmo as cadeiras,
muito pequeno e sem conforto, por sinal distribuído pelas escolas
municipais, tempos depois. Lembro-me de algumas colocadas na antiga escola
de bordado.
Quando não se quer, qualquer desculpa serve e não era querido
o antigo prédio construído pelo Coronel, fazia concorrência
ao cinema novo, construído dentro de padrões modernos, com
tela quase panorâmica. E assim em nome do progresso foi demolido
este tão querido prédio rico em arquitetura alegando-se
que o mesmo se encontrava fora de alinhamento da rua.
- Quantas coisas por este Brasil a fora não é destruído
em nome do progresso?
- Floresta prédios, cidades e até vidas humanas sucumbidas...
Hoje quase não se vai ao cinema, em nossa terra é coisa
do passado, ver um bom filme transformou-se em ver um DVD na sala de casa
em uma televisão, mas não é a mesma coisa...
O encanto da “telenona”, o movimento de pessoas, o cheiro
da pipoca, e os casais de namorados, que apesar do tempo passado ainda
aproveitam o escurinho do cinema.
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