| Acadêmica
Celina Ferro
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Celina
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FUI UMA FESTA NO CRATO
- Você hoje vai uma festa no Crato...! Durante muitos dias imaginei que ir uma festa no Crato era uma coisa ruim, pois mamãe dizia assim, quando estava sem paciência comigo, depois que eu fazia muita raiva, ou recebia alguma reclamação de minhas trelas. Esse ano fui uma festa no Crato e para minha alegria é a melhor festa da cidade. A Expocrato é uma festa muito bonita, cheia de surpresas e gente bonita. De início, muitos shows na programação e para abertura, seria a noite da seresta e da jovem guarda. Senti-me adolescente vendo os ídolos de minha juventude no palco e como eu, não tão jovens... Os cabelos brancos denunciavam as décadas passadas, mas a música era a mesma que embalava os assustados animados pela velha radiola e discos de vinil... Curiosamente guardo-os até hoje e considero minhas preciosidades.
As lembranças tomaram conta de mim e durante toda noite cantei
e dancei sem me preocupar com as dores nas pernas ou nos joelhos, reflexos
da idade e do peso... Mas como falar do Crato sem falar de Juazeiro? Também fui a Juazeiro, o Juazeiro de meu padrinho, onde as pessoas veneram o nosso santo brasileiro e nordestino... Fui pedir benção para mim e para os meus familiares e amigos e quando caminhava entre as ruas, lembrei-me de meus conterrâneos Luiz Clério e José Tenório. Um pela fé que carrega pelo santo e o outro pela sua amizade por mim e não resisti... Fiz uma ligação telefônica e falei com Luiz Clério e ele me pediu que escrevesse e como diria o português, cá estou eu, a fazê-lo. O Juazeiro do Norte tem uma energia diferente, ninguém que caminha pelas ruas, que visita o museu, com todos aqueles pertences do Pe. Cícero, que ouve as histórias de curas do povo sai de lá da mesma forma que chegou. Muita coisa muda em seu interior, após uma reflexão, entretanto, quanto o Juazeiro respira Fé, o Crato respira Cultura Popular na maior expressão da palavra. Lá vi grupos genuínos de folclore desde os folguedos, as danças, os costumes, a poesia, a musica regional, os artistas dos mais variados segmentos se apresentarem em um desfile perfeito de ritmos e vozes e nessa festa toda não me contive e cai na farra...
Dancei reisado até as tantas como fazia na juventude. Lembrei-me
de meu Pai que incentivava seus empregados, moradores da fazenda Morro
Grande na formação do folguedo e em dias de apresentação
era a maior festa. Lembrei até de um comício feito em uma
das campanhas de Arnaldo Amaral que foi realizado na sede da fazenda e
o reisado se apresentou cantando peças dedicadas ao candidato.
Como a nossa memória retrocede nestes momentos...
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