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OS OITENTINHA DO MANO
Quando
a gente toca no assunto, ele, o “fogoso” dá logo sua
estupenda gargalhada. Sentimos pelo ressoar da espontânea risada
que está sempre satisfeito e feliz com a chegada dessa ambiciosa
data – 15 de junho de 2009. Ele “mangou” muito de mim,
no bom sentido, dizendo que eu estava velho. Gritava a bons pulmões:
oitenta anos! Como se fosse coisa do outro mundo. Agora meu elegante mano
– PAULO TAVARES – é chegada há sua hora, como
vai acontecer com o nosso nobre e querido cunhado Zé Maria Zuza,
oitentinha.
Desejaria que meu queridíssimo irmão desse um escrito com
o resumo de sua exemplar história biográfica aos amigos
diletos. Pelo menos um resumo. Começando assim. Fugi de casa, tinha
tantos anos, juntamente com Zito, a pata. Este era um amigo de infância
lá do Corredor. Destino? Adoidado, pois saíram pela estrada
de Águas Belas. Fazer o que? Nada. Lá, nada tinha o que
oferecer a um fugitivo de menor idade, inocente, despreparado e liso.
Conta, mano querido! Tua ânsia de crescer na vida, progredir intelectualmente,
e nosso bairro do Corredor nada tinha a oferecer. Só você
tem o jeito folclórico de conversar com os amigos e parentes. Conta
pra eles como foi que nosso pai, mandou o seu amigo fiel, Sr. Moisés,
a sua procura, montado no cavalo alazão que pai tinha o maior ciúme,
pois, era exclusiva para suas viagens ao sítio Boqueirão,
pertinho de Lagoa da Dominga (hoje Lagoa de São José) pagar
o morador, ver os trabalhos feitos e conversar com os amigos vizinhos.
Conta mano querido, quantas vezes destes a mão a alguns dos conterrâneos
perdidos, lisos e desamparados no Rio de Janeiro, desde quando você
começou a se estabilizar!
Conta mano querido, segunda fugida, quando fizestes uma parada em Salvador
e fostes vender ou trabalhar na fábrica de cocadas artesanal para
arrumar o dinheiro de seguir viagem! Destino Rio de Janeiro!
Conta mano querido, como foi teus oitentinha, porque dá pra rir
e pra chorar. Tua morada numa pensão quando estivemos lá
– eu e o negão Zé Augusto Félix – você
soldado raso, no quarto só tinha duas camas para três dormir
e a algazarra! Também como a gente distribuía a Pitu e o
queijo de coalho que levei para durar muito tempo, pois, naquela oportunidade
era uma preciosidade. Eu me prestava como o bodegueiro e vocês dois
os fregueses, caneiros.
Conta mano querido, como estás hoje, diante de tanta gente que
te ama, desde os caducos da tua laia, até os jovens do teu espírito
de líder e de acolhedor.
Conta mano querido, como você me participava a colaboração
ou a convivência com nossos conterrâneos quando chegavam ai,
ajudando ou colaborando sem nenhum interesse, só e ùnicamente
para facilitar o entrosamento no ambiente carioca, expandindo alegria
e felicidade porque serviu de uma maneira ou de outra um amigo bonconselhense.
Prometi aparecer por ai nessa grande data – o seu aniversário
natalício – porém, vou “gaguejar”. Motivo:
acomodação, simplesmente. Mas, fico daqui, rezando por você,
pedindo a Deus pela sua saúde e a paz junto com sua família,
principalmente minha incomparável e sofredora cunhada – D.
Adelaide a quem tenho verdadeira estima e consideração.
Estou alfinetando os oitentinha do mano. Estou assanhando essa data magna
de sua vida. Sem nenhum exagero, meu irmão merece descambar dos
80 anos de idade até 100 com toda lucidez, se Deus assim permitir.
Com a graça de Deus
Diác. Edjasme (Di)
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