EDJAMSME TAVARES Di
   
EDJASME TAVARES Di
 

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ESTIVEMOS EM CALDEIRÕES DOS GUEDES!

 

Saímos daqui da cidade de Garanhuns, eu, o casal companheiros de caminhada de evangelização – Joaldi Tenório e D. Nicinha sua esposa, - e também sua filha-moça, com destino a cidade querida de Bom Conselho. Às 9 horas na Igreja Matriz da Sagrada Família, participamos da Santa Missa em ação de graças pelos 50 anos de vida sacerdotal de Frei Malafaia, presidida pelo mesmo. Foi linda, Igreja superlotada, o coral instalado no local de origem, lá no primeiro andar, onde sempre funcionou havia mais de cem anos. Tudo organizado e bem participado o ato litúrgico. Terminou 11h20. Fomos convidados para o almoço no Convento, o que dispensamos, porque teríamos de partir para a sede do Distrito (2º) de Caldeirões. E saímos naquela estrada de barro, esburacada, tempo de inverno, zona da mata, o que é natural. Todavia, nada disso importava, o que nos interessava eram ver as paisagens, as casas antigas ainda em pé, lembrando nossos velhos tempos quando em criança passávamos por ali com nossos familiares, visitando amigos fazendeiros de café, a fim de passarmos o dia (domingo) esbaldando-nos em frutas e ao meio dia, galinha de capoeira ou buchada ou mesmo um peru bem sevado, tudo com muita fartura.
Primeiro olhar saudoso, foi ao passarmos na Caixa d’água (sitio), perto da cidade, onde fomos centenas de vezes tomar banho de bica, chupar caju e mangas com colegas de infância. Mais na frente passa pelo sitio Santiago (o matuto chamava Santiagua). Lá tínhamos primos residentes ali, cultivadores de café e de gado. Ali, sim! Foi bom demais. Gravamos bem, quando a gente atolava os pés sobre as frutas, debaixo dos cajueiros e mangueiras, plantados para sombrear o cafezal. Meio dia, nós “empanzinados” de frutas, ainda queriam que almoçássemos bem.
Segundo olhar saudoso na bifurcação na frente da Capela (igrejinha) chamada “igreja dos Temóteos”. Ali, entrando à esquerda, ia chegar ao sítio do meu pai, chamado Sítio Rosilho, igual a todos os outros (cafezal, fruteiras e muita água). À direita, seguindo-se em frente outras lindas paisagens nas ladeiras seguintes, pois, não tínhamos retas, porém, era sobre as ladeiras que deslumbrávamos as matas e os colossais cercados de capim que substituíram o cafezal. Por isso, velhas casas, ainda resistindo o implacável tempo (chuva e sol), desprezadas às expensas das ruínas.
Terceiro olhar saudoso no sitio Pau Grande, na época pertencia ao Sr. Arcôncio Camboim, genitor do Dr. Raul. A mesma “casa grande” está de pé e com alguém ali residindo! Do outro lado (em frente) um atraente baixio com um riacho e um capinzal lindo com gado pastando, numa boa distância com visual amplo.
Quarto olhar saudoso na fazenda que pertencia ao Sr. Ursulino Pacheco, pai de um dos seus filhos que foi nosso colega no Tiro de Guerra, 159 e também do nosso querido e saudoso Ginásio São Geraldo. Ali, nos nossos passeios (eu e Marcos Vilela) de bicicletas, aportávamos na sua casa. Tinha uma cancela na chegada e outra na saída, do outro lado da sede da fazenda, do mesmo jeito como tinha nas outras fazendas naquela época. O hospitaleiro fazendeiro de café e de gado, não consentia que prosseguisse viagem, sem tomar alimentação alguma. Era sempre pelas 9 horas, horário da primeira refeição dos agricultores naquela época na zona rural. Não nos esquecemos por ser ele muito bairrista. Quando tudo estava preparado para nos servir, foi assim: ele pedia à empregada que “servisse macaxeira extraída naquele dia de sua propriedade” Assim dizia do café, do inhame, do leite, da carne, do queijo e do cuscus. Em tudo, ele repetia, “é daqui de nossa propriedade. Temos de tudo e nada é comprado”. Não se cansava de repetir, por isso, ficou gravado até hoje em nossas mentes.
Quinto olhar saudoso a vila de Caldeirões dos Guedes. Ainda contando com aquela queda dágua sobre as pedras que a vida moderna não estragou e nem mudou a sua rota. De um lado (lado de baixo) a casa da colega cartorária Nicéias Tenório de Albuquerque, muito querida por nós, era lá nosso ponto de apoio. Em frente a sua casa, uma estação de Rádio Comunitária (Rádio Madruga) ao lado dessa rádio a residência do nosso colega de ginásio e de Câmara de Vereadores, Jornes Tenório. Fomos eleitos no ano de 1963 no grupo político que tinha como candidato a Prefeito, nosso compadre amigo, leal e fiel, Arnaldo Amaral. Na casa de Jornes, foi só alegria, eram risadas intermináveis, relembrando aquele doce, inocente e feliz passado de juventude sem sintomas de ódio ou de vingança. Jovens estudantes; jovens vereadores, que no coração de cada um, só reinava bem estar, união, paz e compreensão, até com os próprios adversários políticos, cuja atividade político-partidária, era feita sem a prática subversiva de traições no curso da campanha eleitoral. Demos muito trabalho e noites sem dormir aos nossos concorrentes, ainda hoje estamos por saber o que faltou para vencermos as eleições. Foi uma verdadeira escola para nós. Tudo isso revivido na casa de Jornes na nossa visita.
Olhando o lado direito da praça principal, víamos a casa de Antonio Vitório que tinha uma padaria antes de Artur padeiro. Ali morou como visinho Luiz Ararão (conheci quando morava na rua do Corredor, era o coordenador do bloco carnavalesco Leão do Norte, em seguida era a casa de Sebastião Barra Nova).
O mais engraçado para a garotada de Caldeirões era estar sempre na casa de Sebastião Barra Nova, (se não estou enganado) ou era na casa do Sr. Renato, um gramofone, daqueles do tempo “do ôspra”, parecido com a vitrola ABC, lembram-se? E a garotada a pular e brincar com essa modernidade da época.
Tudo isso revivido na casa de Jornes, dosado com longas gargalhadas.
Estivemos também na casa de Vavá, familiarmente conhecido como Carel, filho do saudoso compadre Paulo Tenório, conhecido como Paulo Vigário. Carel é irmão do meu companheiro de Igreja e de viagem, Joaldi Tenório. Eles mostraram a mesma casa onde moraram seus pais, que está estruturalmente do mesmo jeitinho que os velhos deixaram e onde eles nasceram. Lá reside o amigo Carel.
Finalmente, estivemos na Capela de Nossa Senhora da Conceição que está do mesmo jeitinho do tempo deles o altar, onde eles foram batizados. A pesar de tudo isso a Capela é bonita e está bem zelada.
Ao retornarmos, a grande surpresa. Por que a viagem foi mais curta, chegamos mais cedo do que na ida? Imaginem vocês. Provocou imaginar essa interrogação. . Lógico! Na ida vislumbrando tudo, observando todos os pormenores, tivemos que demorar muito mais. Na volta era “só ler por cima”! Quer dizer, olhar sem comentário.
Aos conterrâneos dali ou de seus arredores, podem retificar algo ou ampliar sobre os locais que comentamos, matando saudades que nos faz bem ao corpo e a alma.
Com a graça de Deus.
Diác. Edjasme Tavares Lima

 

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