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É MUITO BOM GUARDARMOS CERTAS COISAS...
Certo
dia, eu estava procurando nos velhos arquivos do escritório em
nossa residência, um documento de meu interesse particular. De repente
me deparo com outro muito mais relevante. Muito mais interessante, porque,
tratava da história da minha promissora terra natal. Bom Conselho.
Isto aconteceu lá pelos idos de 1963. Jovem eu estava, cabeça
cheia de ideias, saúde “para exportar”, fisionomia
24 horas risonha e também cheia de amor junto aos meus circunstantes.
Nesse quadro, vivia num ambiente de juventude, mesclada de medo e ansiedade.
O ambiente político partidário: violento, vingativo, invejoso,
perseguidor, marcando o nosso município como região sem
progresso comercial ou industrial, sem estradas e o seu maior número
de vezes, sem paz.
Foi dentro desse prisma que tive a ideia de deixar nossa cidade assistida
pelo sistema de telefones fixos como em outras cidades civilizadas. Fui
ao Recife e lá conversei com um representante de uma empresa de
telefonia que estava expandido seu sistema de comunicação
pelo interior do Estado. Li nos jornais. Fui bem recebido, bem tratado
com cafezinho e tudo. Depois de longo diálogo, fui orientado que
a empresa iria mandar um representante até Bom Conselho para um
diálogo com os homens interessados no projeto. Foi nessa altura
da conversa que preveni: lá não é como outras cidades.
A política “não brinca em serviço”. Perguntei:
E se os políticos botarem “gosto ruim, bloqueando “por
debaixo do pano” a nossa intenção?”. Os funcionários
da empresa riram bastante e disseram: “Estamos acostumados com essa
qualidade de gente”. “Não se preocupe, não é
por isso que vá onerar a viagem.”
Voltei entusiasmado, marcamos a data da chegada do representante da empresa
na nossa cidade. Formulei convite a todos sem exceção. Políticos
no poder e na oposição. Recebi a confirmação
da presença de todos. Porém, por medida de segurança,
sabendo com quem convivia, formulei uma declaração para
que todos os interessados assinassem a adesão e a presença
física no dia da reunião. Foi no primeiro andar da loja
do Sr. Gervásio Pires/Zé Maria Pereira de Melo, centro da
cidade.
Eis que chegaram o dia e a hora combinada, começou a chegar gente.
Recebi o primeiro cochicho: “Edjasme os políticos do partido
tal (reservo o nome) estão com inveja e bloqueando a reunião
para não aceitarem a proposta, porque sabem da vitória da
oposição com essa implantação de telefones
na cidade. Cuidado! Avise ao Representante Comercial da Empresa o que
está acontecendo!” Como eu já sabia, por isso fiz
a declaração por escrito, e foi essa a que encontrei nos
meus arquivos “implacáveis” que vai abaixo. Leiam quantos
homens de bem assinaram a lista de próprio punho com seus respectivos
endereços:
“DECLARAÇÃO. Nós abaixo assinados declaramos
e afirmamos que estamos de acordo com a instalação do serviço
telefônico nesta cidade de Bom Conselho, ficando no rol dos candidatos
a compra de um telefone para cada um de nós em nossa casa comercial,
repartição pública ou residência particular.”
(AA) – seguem as assinaturas: Edjasme Tavares Lima, Marne Urquiza
Cavalcanti, Ivan de Oliveira Crespo, Manoel Ferreira Leite, Prefeitura
Municipal, José Maria Pereira de Melo, Severino Wilson Fc dos Santos,
Arnaldo Amaral, Expedito Monteiro do Amaral, Geraldo Soares da Silva,
Valdemar Gomes de Santana, João Ferreira Sobrinho, Antonio Tenorio
da Silva, Severino Crespo Manso, Edjaime Cardoso de Melo, Herbelino Morais,
José Galdino Alves, Obadias Campos de Oliveira, Luiz Lira Pessoa,
Leonidas & Irmãos, Manoel Taveira de Azevedo, José Ferreira
de Lima, Antonio Miguel da Silva,José Eudoxio Curvelo, José
Severino Neto, Vital José Cordeiro, Dr. Orlando Marques Cavalcanti
de Albuquerque.”
O original está a disposição de todos.
Com a graça de Deus
Diác. Edjasme Tavares Lima.
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