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RODOVIÁRIA
Estamos imersos em um grande oceano, onde viver se faz obrigação.
Viver todos vivem, mas conviver poucos sabem!
Somos células andantes dentro de uma grande célula chamada
Universo.
São os encontros e desencontros que nos fazem crescer nesta árvore
chamada vida.
Sentado em um banco de rodoviária, à espera de uma amiga
que vinha de longe, comecei a matutar sobre esta “coisa” que
denominamos “rodoviária” e vi que esta palavra encerra
muitos significantes: vida que roda, parte da vida que se vai, pulo para
uma outra via; são tantos os significantes que se esconde sobre
esta palavra, como são tantos os significados da vida das pessoas
que transitam pela rodoviária.
Gente que passa apressada sem nem olhar para os lados, como que fugindo
da vida, ou buscando, talvez, um outro destino ou uma outra via para desenvolver
a sua história.
Gente que chega trazendo além da bagagem, um sem que, de esperanças
de dias melhores.
Rodoviária...
Onde tudo termina para uns; onde tudo começa para outros.
É tudo um intricado de linhas que se cruzam, se interpõe
e se entrecruzam, paralelas que não se encontram nunca.
Vai e vem de almas, de sonhos, de esperanças e de buscas.
Assim é rodoviária...
Imersão infinito no labirinto de sentimentos que terminam, que
começam.
Rodoviária...
Quantos encontros e desencontros.
Quantos que partem, se separam...
Quantos que voltam, que se encontram.
Realidades que se confundem.
Uns querendo acertar.
Outros querendo esquecer.
Buscas que talvez nunca terminem, sonhos que talvez nunca se concretizem.
Mas é um movimento vivo que não para nas entranhas da rodoviária.
Mais parece o fluxo sanguíneo dentro das nossas veias. Não
para dia e noite. Assim é rodoviária.
Um incessante movimento de encontros e desencontros. Um começar
de vida, um adeus à terra querida, uma busca em outras paragens.
Um querendo esquecer, outro querendo lembrar. Mas todos com um ponto em
comum: Recomeçar.
O certo é que o paradoxo aproximação/afastamento
marca o desenvolvimento do ser humano e se traduz nos encontros e desencontros
nos quais cada um está procurando suprir suas lacunas ou carências
vividas. É a reorganização de espaços físicos,
emocionais e relacionais.
Todas essas situações trazem um caráter de novidade
a cada um que estão neste movimento. Ao mesmo tempo da chegada/partida
instala-se o conflito dramático entre o conhecido, mesmo difícil
e infeliz, e o desconhecido, com possibilidade de felicidade e insegurança
diante do novo.
Rodoviária...
Encontros, desencontros.
Afagos, beijos.
Beijos de chegada, sorrisos de boas vindas.
Beijos de despedidas, lágrimas de separação.
Rodoviária...
Partidas, chegadas.
Sonhos que partem realizados ou não.
Sonhos que chegam com alegria, dispostos a abrir-se ao que está
diante de si.
Há em todos estes sonhos estímulos que os movem.
Este estímulo é seu fim, é sua meta, é o todo;
esse estímulo é o que os incitam continuamente à
busca. E ninguém os pode deter até a sua conclusão
ou não.
É a busca pela tal “felicidade” que faz com que estes
sonhos todos se cruzem nesta via chamada rodoviária.
RODOVIÁRIA É A VIDA, ONDE UNS NASCEM, OUTROS MORREM!.
Neste
instante vislumbro ao longe um aceno e um sorriso de chegada.
Foi o suficiente para me retirar desta imersão da energia da rodoviária.
Aqui eu vi e senti que os encontros sejam quais forem, sempre trazem,
embutidos em si, uma mensagem nova, e continuam sendo sempre melhores
que os desencontros.
RJ 02.08.09
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