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MEMÓRIAS
Época de política na minha cidade lá pelos idos dos
anos 60 já era algo excitante. Mesmo para nós jovens que
não votavamos. Era interessante ver e ouvir os candidatos, alguns
sem o mínimo de preparo, seja para falar ou mesmo para administrar
alguma coisa, até mesmo a sua própria vida. Mesmo assim
eu, jovem entre 12 ou 13 anos, já tinha a minha convicção
política, que era diferente da do meu pai. Mas, eu não podia
me manifestar de forma alguma, nem adiantava a minha posição:
Eu não votava.
O meu pai sempre seguia a linha dos candidatos apresentados e apadrinhados
pelo Cel. José Abilio, que eram mais conservadores em suas linhas
de atuações.
Já a cabeça do jovem de 12 anos, naquela época, queria,não
se sabe porque,uma renovação. Não tinha uma idéia
formada de uma administração ou coisa que o valha, mas algo
dentro de mim dizia que era necessário mudar. Mesmo sem poder exercer
a cidadania do voto, os meus candidatos sempre eram os do partido do sr.
Gervásio Pires, do sr. Arnaldo Amaral(que eu tinha uma grande admiração).
Então o jovem sempre procurava estar presente nos comícios
que eram realizados em vários pontos da cidade.Ouvia tantas promessas
e ficava a imaginar se tudo aquilo se realizasse, como a nossa cidade
ficaria maravilhosa e bem cuidada e com progresso e emprego para todos.
Em um desses comícios sobe ao palanque uma jovem que na época
tinha a mesma idade que eu. A jovem Francisca Luna, minha colega no Ginásio
São Geraldo e a partir dai começou a fazer parte da oratória
do "meu candidato', o sr. Arnaldo Amaral.
A partir dai foi que eu não perdi mais nenhum comício, pois
no meu íntimo, sentia orgulho pela minha colega, pela coragem,
pela sua locução e pela sua posição. E a "danada"
apesar da pouca idade era muito boa no que fazia. Tinha a entonação
certa para prender os ouvintes naquilo que estava falando e o pessoal
gostava, aplaudia e gritava, e eu no meu anônimato ficava cada vez
mais orgulhoso, pois ela era a minha colega de classe.(nunca tive o prazer
de lhe dizer isso, mas ficou registrado em minha memória).
Acho que nesta época uma outra mulher começava a fazer o
seu debut na vida pública: Ielma Lucena, candidata a vereadora.
Não lembro se logrou êxito na empreitada.
Mas chega-se finalmente ao grande dia e o resultado final das eleições
e o 'meu candidato" não consegui o seu objetivo e uma onda
de desânimo tomou conta daquele aspirante a participante ativo na
política. E aí eu guardei este sentimento tão bem
guardado que nunca tive oportunidade de votar em minha cidade(tive que
me ausentar muito cedo).
Os sentimentos de mudanças ocorreram, só que no nível
pessoal, o jovem tornou-se adolescente e só já adulto pode
colocar a sua força de mudança coletiva política
para fora. Era a época das passeatas pela saída do Collor
da presidência e lá estava eu em plena Av. Rio Branco(centro
do RJ) com os caras pintadas e o pessoal da minha faculdade, brandando
palavras de ordem e vivendo aquela esperança que tinha ficado presa
lá atrás nos meus 12 anos, numa cidade perdida do interior
de Pernambuco,chamada Bom Conselho.
Pude assim acreditar na força da mudança, da união
por um ideal real, na força que nos impulsiona para frente ,sempre.
O tempo passou, as coisas mudaram a nossa volta, mas esta coisa chamada
'esperança" ficou para sempre dentro do coração
adulto ,daquele jovem acanhado, . E uma lição aprendida
também ficou: NUNCA DEIXE A ESPERANÇA IR EMBORA DA SUA VIDA
POIS É ELA QUE NOS IMPULSIONA PARA AS MUDANÇAS.
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