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"COLÔNIA
RIO DE JANEIRO" GILDO PÓVOAS |
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Escrever liberta. Escrever transcende todo o paralelismo da vida. Vai além do que está estabelecido. Escrever reconforta, traz a adaptação do indivíduo a sociedade a qual pertence; faz o processo de nivelamento social. O escritor é um ser por excelência. Fala por imagens primordiais, fala mil vozes; consegue seduzir e dominar, enquanto ao mesmo tempo Cia a idéia que está tentando expressar, fazendo-a sair do ocasional e do transitório e passar para o domínio duradouro. Sempre tive verdadeiro respeito e admiração pelos escritores, pois eles fazem as suas obras como um sonho. Com uma grande diferença: Um sonho nunca diz: ”você deve ou “esta é a verdade”. Já na obra, o escritor apresenta uma imagem exatamente como a natureza. Permite a uma planta crescer e dar seus frutos. Escrever é um dom, faz com que o ser mergulhe nas profundezas curativas e redentoras da psique coletiva, onde o homem não está perdido no isolamento da consciência e de seus erros e sofrimentos, mas onde todas as pessoas são colhidas em um ritmo comum que permite ao indivíduo comunicar seus sentimentos e aspirações à humanidade como um todo. Escrever redime e aproxima. Nem sempre a obra de um escritor precisa ser uma obra prima. Toda obra tem o seu papel, seja escritos em um blog, um livro de bolso, uma revista, um jornal, enfim, se tem conteúdo, tem função. Há escritores que mergulham tanto na sua obra que se tornam imortais. O corpo passa, mas a obra criada fica atingindo gerações e gerações futuras. O verdadeiro escritor quase sempre invade e perturba. Ele fala de um mundo eterno a um mundo temporal. Ele diz as coisas erradas na época certa. O verdadeiro escritor tem “um dom” que se desenvolve na razão inversa à da personalidade em seu todo e tem-se a impressão de que uma personalidade criativa cresce à custa do ser humano. A arte de escrever é um impulso inato que se apodera de um ser humano e o transforma em seu instrumento. E sendo instrumento é um canal, e em sendo um canal leva-se a algum lugar. Daí o cuidado no que se escreve. O escritor faz a ponte entre o consciente e o inconsciente. Abre o caminho para informar sobre o que encontra dentro de si em sua viagem de descoberta, seja isso água corrente para sedentos ou os desertos arenosos do erro infrutífero. Uma obra criada nunca é estática, sempre tem algum reflexo. Sempre leva a algum lugar dentro de cada um, seja uma reflexão ou uma crítica. Escrever liberta a alma desafia a todo o custo a impotência da estagnação do corpo, pois vai além das fronteiras estabelecidas. E o escritor sabe disso e procura sempre fazer com que a sua semente torne-se um carvalho. Os escritores, prá mim, são como estrelas guias que nos conduzem na aventura de expansão e consolidação de nossa existência. Ajuda-nos a firmar o nosso elemento de diferenciação de indivíduo. Enfim escritores nos ensinam a sermos melhores a cada dia, a cada experiência.
RJ 07.01.2012
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