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Zé
Limeira
Falando
do Andarilho / desse que
está no trilho /
/ lembrei-me de Zé Limeira / poeta do absurdo
/ Orlando Tejo me disse / e sobre ele escreveu.
Foi na Serra do Teixeira / que o cantador nasceu
/ valente que nem um curdo / esse povo do Iraque
/ de cartola ou de fraque / ele nada entendia
/ mas pra fazer poesia / trova, repente o que fosse
/ cantador bom se rendia / e dizia sem pensar
/ a coisa aqui tá amarga / bom seria sendo doce
/ mas quando se pega não larga.
Um dia Limeira morreu / glórias ele mereceu
/ foi bom pra quem o ouvisse / daí o disse-que-disse
/ em torno do cantador / que nunca deixou o andor
/ no meio da procissão / fosse no ar ou no chão
/ e Limeira estava lá / cumprindo a sua missão.
Criou muitos disparates / juntou um montão de vates
/ pra cantar lá em Campina / assanhou muita menina
/ cantou com gente famosa / gostava também de prosa
/ e sabia prosear / pra todo mundo aprovar.
Tomava muita zinebra / na emenda o bom não quebra
/ muita coisa ele nos deu / com sua biografia
/ que Orlando Tejo escreveu / amante da poesia.
Limeira e sua viola / cantador que deita e rola
/ com ele perdia a graça / fosse na rua ou na praça
/ gostava de confusão / nos oito pés a quadrão
/ cantava a pleno pulmão / fosse no brejo ou sertão.
No meio duma cantoria / Limeira surpreendeu
/ foi pendendo da cadeira / e no chão se arrebentou
/ o povo todo correu / pra ver o que se passou
/ já era tarde, porém / às três horas da manhã
/ Limeira havia morrido / num desmaio incontido
/ a gente perde o que tem / e todo mundo aturdido
/ lembrando Puxinanã.
Foi assim que a Borborema / a rádio lá de Campina
/ que não soltava o bom tema / cumpriu tão bem sua sina
/ locutor anunciava / notem que ele falava
/ da morte de Zé Limeira / nascido lá no Tauá
/ sítio onde ele residia / orgulho de moradia
/ lá na Serra do Teixeira / poeta do absurdo
/ mas com isso eu não chafurdo / foi o que me disse o Tejo
/ numa noite seresteira / seja na serra ou no brejo
/ isso não é brincadeira.
José F. Costa
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