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A
paz!
A paz voltou a reinar / na terrinha, que beleza!
Tambores silenciaram / haja paz na freguesia
Todos só têm a ganhar / isso é dom da natureza
E os guerreiros evitaram / causar mais desarmonia.
Quando um não quer, dois não brigam / minha avó assim
dizia
Guerra não traz nada bom / nem aqui, nem no Japão
Contendores que o digam / grande mal isso faria
Por isso, mudou-se o tom / sem querela e com razão.
Não sou de fugir da briga / mas gosto mesmo é da paz
Não vale alimentar ranço / para não adoecer
O rancor causa fadiga / saúde mesmo não traz
Demos agora um balanço / temos de reconhecer.
Fundar uma academia / de letras, Quanta cultura!
Não tem vez quem quer demais / pode ganhar ou perder
De Bom Conselho a Bahia / Criador ou criatura
Ponham nos memoriais / que isso soma e faz crescer.
José Fernandes Costa
Andarilho
Andarilho,
meu amigo / humildade é coisa boa
Já saí do meu abrigo / mas quando se anda a toa
Recebe alguma lição. Você fez por merecer
Meu pedido de perdão / que foi feito pra valer.
Assim se faz amizade / não se magoa ninguém
Faz-se verso com bondade / dá-se razão a quem tem.
Nada se faz agredindo / insultando ou coisa assim
Você é sempre bem-vindo / do princípio até
o fim.
Ipanema ou Papacaça / ambos com sua pujança
A vida é cheia de graça / não se perde a esperança.
Fazer verso sem saber / terá isso algum valor?
Tentativa de aprender / não é isso, meu doutor?
Se ninguém nasce sabendo / de nada do nosso mundo
Aos poucos vai aprendendo / se o sentimento é profundo.
Feliz de que se arrepende / de pecado cometido
Feliz de que compreende / o perdão que foi pedido.
Por isso, meu caro amigo / nossos laços fraternais
Honestamente lhe digo / não vão se romper jamais.
A vida nos dá lições / andarilho vai andando
Conquistando corações / aprendendo e ensinando.
Tentar e não conseguir / é pelo menos tentar
Vale a pena insistir / depois ter o que contar.
Quem fica parado é poste / nas ruas ou nas estradas
Ainda que alguém não goste / sigamos nas caminhadas
de elefante a caramujo / da boa briga em não fujo.
Mas dela não sinto falta / em maré seca ou maré alta.
- Abraços do amigo, José Fernandes
Desculpas!
Não sou poeta nem nada / por isso falei bobagem /
Só entrei nessa estrada / pra fazer uma viagem
Se ao andarilho ofendi / foi involuntariamente
Na vida nunca aprendi / a ser mau ou inclemente.
Mas confesso: escorreguei / numa frase irreverente
Desculpas estou pedindo / com toda a minha humildade
O andarilho é bem-vindo / na nossa comunidade
Quem sou eu para mandá-lo / procurar outra guarida
Quem é que pode tirá-lo / de coisa bem-sucedida?
Pérfido, garanto: não sou / porque não sou desleal
Perdoe meu caro doutô / sei que nessa entrei mal.
Como disse logo acima / nunca fui nem sou poeta
E procurando uma rima / dei aquela de pateta
Com a palavra guarida / que expressa coisa boa
Mas dessa vez foi sentida / como coisa que destoa.
Nessa vida, quem não erra? / mas aí eu errei feio
Mas bom cabrito não berra / sem rancor e sem receio
reconheço e me retrato / da gafe então cometida
Não posso me tornar chato / com pessoa tão querida
Fica aqui minha desculpa / aceite meu caro amigo
Penso muito nessa culpa / e vou ficar no meu abrigo.
Abraço, José Fernandes Costa
Não
brigo com o andarilho
Não
brigo com o andarilho / que isso não me convém
Cada qual dá o que tem / garrote novo é novilho
Cachorro novo não é / sinônimo de cão ligeiro
Galo canta no poleiro / e gosto não se discute.
Há um fóssil de elefante / que se chama de mamute
Ipanema e Papacaça / estão na minha lembrança
Elefante a gente caça / não tenho desconfiança
De quem seja o andarilho / esse sujeito escondido
Que não pisa nesse trilho / só me deixa aturdido.
Um dia vão descobrir / e então a casa cai
Se da toca ele não sai / porque quer nos confundir
Digo logo sem pensar / dê seu nome na peleja
Não queira tergiversar / se apresentar não deseja
Para que tanto mistério / pra que essa assombração
Se porta de cemitério / em noite de escuridão
Causa medo a muita gente / não fique à escondida
Saia logo de repente / ou procure outra guarida!
José Fernandes Costa
Poesia
e poema
Não sei fazer poesia / e muito menos poema
Mas se soubesse faria / nas margens do Ipanema
O rio da minha infância / na sombra da catingueira
Tinha gado, tinha estância / e também mulher brejeira.
E o rio quando enchia / dava gosto de se ver
O povo, que alegria / pra plantar e pra colher.
A plantação começava / a colheita vinha vindo
A passarada calava / o calor ia sumindo
Quanto mais chuva chegava / a água do rio subindo
A nado ninguém passava / quem tentasse desistia
O rio se avolumava / e ninguém mais se atrevia.
Mas poesia eu não faço / só porque nada aprendi /
Uma vez sai verso branco / isso a tranco e barranco
Outra vez nem branco sai / e assim a coisa vai
Nesse quesito eu não passo / por isso já esqueci.
Vou ficar tentando a prosa / nesse mundo sem porteira
Conversa oca é asneira / mas a vida é cor-de-rosa
Minha menina não queira / desistir do nosso amor
Sendo louco por você / não suportarei a dor
Seja lá por onde for / você é muito amorosa /
Que me deixa orgulhoso / e assim digo e repito
Não vou calar esse grito / nem vou ficar temeroso.
José Fernandes Costa
E
veio Camões! Até Camões!
Na guerra do pleonasmo / falou-se até em Camões /
Houve raios e trovões / até chegar minha vez /
E Camões fez o que fez / disso muita gente sabe.
Não dá para ficar pasmo / pois o poeta foi tudo /
Foi guerreiro, foi amante / perseguido por instante /
Se houver rompante eu me mudo / nem que o mundo desabe.
Se ele usou redundâncias / por força das circunstâncias
/
Temos de reconhecer / em tal época, podes crer /
Tempo sobrava pra todos / espaço não tinha engodos.
Nada há de anormal / mas no tempo atual /
Esse luxo não nos cabe / bom sujeito disso sabe /
E faça o uso que queira / desde que não diga asneira /
Mas prefiro outra maneira / porque tempo é importante.
Pra que ser tão redundante / proseando a vida inteira /
Prosa não é brincadeira / pleonasmo nem pensar /
Todo mundo pode errar / não quero ser renitente /
é isso aí minha gente / é hora de arrematar.
Desse tema eu não abuso / o grande poeta luso /
Teve a honra de honrar / sua passagem na terra /
Seja paz ou seja guerra / ele veio pra lutar /
Nas letras e em alto mar / seu nome está na história /
é da cultura uma glória / não me canso de contar!
José Fernandes Costa
O
AMOR
Não sei se o amor é cego / pois o meu tem olho vivo /
ele mexe com meu ego / uso o modo indicativo /
quando eu amo e tu amas / sendo assim tu não reclamas /
esse meu traço não nego / eu te chamo e tu me chamas.
Paixão também tem valor / diferente do amor /
mostra a face colorida / toda pimenta é ardida /
e amar é excelente / faz bem a alma da gente /
mas tem de ser com mulher / porque homem dá azia /
minha avó sempre dizia / homem casa quando quer /
mas procure uma mulher / mesmo em outra freguesia /
que não seja uma qualquer / fique em boa companhia.
Homem não deita com homem / esse tento vocês tomem /
não existe bicha ativa / nem hoje nem amanhã /
alemão ou alemã / ativo muda de lado /
pra não ser indelicado / paro com esse babado /
não quero desagradar / e não vou me retratar /
posso até pedir perdão / que tenho bom coração.
Mas vou mandar meu recado / gosto mesmo é de mulher /
você goste se quiser / que estou bem à vontade /
amor se faz com bondade / e laços nos corações /
a vida quem dá é Deus / não requer muitos senões
/
cada qual escolha os seus / não alimente ilusões /
coração tem emoção / faz a vida esplendorosa
/
a mulher é uma rosa / não me canso de louvar /
gosto mesmo de falar / mulher tem que ser dengosa /
para a gente acarinhar / e deixá-la toda prosa!
José Fernandes Costa
Haja chumbo! Amigos,
Haja chumbo e munição / nesse embate sou anão /
e não provoco ninguém / principalmente quem tem /
o valor do andarilho / e reconheço seu brilho /
nessa luta de gigantes / que vem vindo em bons instantes /
insuflar o bom combate / coisa que não nos abate /
somente nos reanima / seja na prosa ou na rima /
todo mundo participa / seja fato ou seja tripa /
vai pra frente do espelho / examina seu valor /
nem precisa ser doutor / basta ser de Bom Conselho!
Falo agora com Socorro / essa figura legal /
e que se assina Godoy / muita coisa ela constrói.
Se a luta é desigual / por você eu mato ou morro /
duma briga eu nunca fujo / seja lá o que Deus queira /
na planície ou na ladeira / na água ou na ribanceira /
qem se esconde é caramujo / não sou de contar asneira /
embarcadiço é marujo / cobertura ou cumeeira /
e dessa luta eu não fujo!
Em breve cumpro essa sina / quero falar com Karina /
que merece muito afeto / sou um homem irrequieto /
prezo muito essa menina / e dessa ala feminina /
sou grande admirador / na sala ou no corredor /
vejo todas com respeito / pra isso sou bom sujeito /
e da mulher sou defensor / coração vibra no peito /
com orgulho e mais louvor!
José Fernandes Costa
Ainda
os pleonasmos!
Ainda os pleonasmos! Caros amigos,
De pleonasmo ainda falo / e a qualquer hora me calo /
jornal requer muito espaço / e leitor anda ocupado /
mas mesmo assim escreveu / sua meta pessoal /
por isso muito doeu / nas oiças do Juvenal.
Se é sua é pessoal / não precisa mais dizer /
escreve quem sabe ler / mas não fique tão zangado /
assim eu fico avisado / e quando escrevo não faço /
pleonasmo é abundância / e rima com redundância.
Tudo que sobra é demais / isso está nos manuais /
mas o que é belo é bonito / disse um grande gozador /
radical (?), mas que horror / porque isso eu nunca fui /
muito menos erudito / e muita gente usufrui /
daquilo que está escrito / mesmo que não seja errado /
o desperdício é danado / e deve ser evitado /
e o que eu disse tá dito. José Fernandes Costa
De
poeta eu nada tenho
De
poeta eu nada tenho / mas sou defensor ferrenho /
das letras do idioma / quando dois cafés se toma /
com sabor de português / não se nota a escassez /
de outros gêneros na mesa / pra cantar mãe natureza /
de improviso ou no repente / que saudade dá na gente /
por isso fico vermelho / e vou voltar a Bom Conselho /
pisar nessa terra quente / que saudade que se sente /
ao sair de Bom Conselho / pra plantar outra semente.
José Fernandes Costa
Lá
vai, Saulo:
Nos embates dessas vidas / se curam muitas feridas.
O andarilho verseja / não há cristão que não
veja /
o poder do menestrel / que sobe e desce ladeira /
versejando a vida inteira / carregando o doce mel.
A vida com altos e baixos / por toda parte se vê /
poesia é coisa séria / quem tem gosto faz e lê /
ela corre na artéria / do poeta empedernido /
que faz verso, ama e sente / segue o coração da gente /
procurando o bom sentido / mesmo sendo maltrapilho /
que não é o nosso Saulo / tem valor o andarilho /
de Bom Conselho a São Paulo.
José Fernandes Costa
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