COLUNA "José Fernandes Costa"
 

 

Poesia e poema

Não sei fazer poesia / e muito menos poema

Mas se soubesse faria / nas margens do Ipanema

O rio da minha infância / na sombra da catingueira

Tinha gado, tinha estância / e também mulher brejeira.

E o rio quando enchia / dava gosto de se ver

O povo, que alegria / pra plantar e pra colher.

A plantação começava / a colheita vinha vindo

A passarada calava / o calor ia sumindo

Quanto mais chuva chegava / a água do rio subindo

A nado ninguém passava / quem tentasse desistia

O rio se avolumava / e ninguém mais se atrevia.

Mas poesia eu não faço / só porque nada aprendi /

Uma vez sai verso branco / isso a tranco e barranco

Outra vez nem branco sai / e assim a coisa vai

Nesse quesito eu não passo / por isso já esqueci.

Vou ficar tentando a prosa / nesse mundo sem porteira

Conversa oca é asneira / mas a vida é cor-de-rosa

Minha menina não queira / desistir do nosso amor

Sendo louco por você / não suportarei a dor

Seja lá por onde for / você é muito amorosa /

Que me deixa orgulhoso / e assim digo e repito

Não vou calar esse grito / nem vou ficar temeroso.

José Fernandes Costa