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Poesia
e poema
Não sei fazer poesia / e muito menos poema
Mas se soubesse faria / nas margens do Ipanema
O rio da minha infância / na sombra da catingueira
Tinha gado, tinha estância / e também mulher brejeira.
E o rio quando enchia / dava gosto de se ver
O povo, que alegria / pra plantar e pra colher.
A plantação começava / a colheita vinha vindo
A passarada calava / o calor ia sumindo
Quanto mais chuva chegava / a água do rio subindo
A nado ninguém passava / quem tentasse desistia
O rio se avolumava / e ninguém mais se atrevia.
Mas poesia eu não faço / só porque nada aprendi /
Uma vez sai verso branco / isso a tranco e barranco
Outra vez nem branco sai / e assim a coisa vai
Nesse quesito eu não passo / por isso já esqueci.
Vou ficar tentando a prosa / nesse mundo sem porteira
Conversa oca é asneira / mas a vida é cor-de-rosa
Minha menina não queira / desistir do nosso amor
Sendo louco por você / não suportarei a dor
Seja lá por onde for / você é muito amorosa /
Que me deixa orgulhoso / e assim digo e repito
Não vou calar esse grito / nem vou ficar temeroso.
José Fernandes Costa
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