COLUNA "José Fernandes Costa"
 

 

Fragmentos de português



Certa vez, eu disse a um colega que discordava de alguns pontos de vista da professora Maria Tereza Piacentini. Alguém pode perguntar-me: "Quem és tu para discordar dela?”.

Reporto-me aos verbos adequar e explodir, tratados na lição 218, da nossa mestra. Diz ela que o verbo adequar comporta a conjugação na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. Estudiosos do nosso idioma, a quem tenho acesso e com alguns me comunico, afirmam que o verbo adequar, no presente do indicativo , só é conjugado nas 1ª e 2ª pessoas do plural: adequamos, adequais.

Como não tem a 1a. pessoa do singular do presente do indicativo, por conseqüência, não tem o presente do subjuntivo. Assim, não existem adequo, adéqüe, adéqües etc., como a professora Maria Tereza defendeu. O mesmo vale para explodir. Não existe "eu explodo", tampouco "que eu exploda". Explodir não tem a 1a. pessoa do presente do indicativo. Por isso, não tem, também, o presente do subjuntivo, porque este deriva daquela. A mesma regra vale para abolir, implodir.

Desse modo está no Aurélio Século XXI. E é isso que afirmam Maria Aparecida Ryan, Evanildo Bechara, Pasquale Cipro Neto* e outros .

Diz ainda Maria Tereza que o trema é pouco usado em jornais e revistas. Desconheço essa prática. Mas, se jornalistas não usam trema, é grande equívoco, porque o trema existe e é de uso obrigatório onde lhe cabe: freqüência, eloqüência, agüentar, argüir etc. Até que o novo Acordo Ortográfico passe a vigorar. E há até quem se exceda em bobagens ao escrever e pronunciar inqÜérito, qüestão etc. (?).

* Pasquale até admite que, na linguagem linguagem informal, certas formas defeituosas são usadas. E dá como exemplo o " eu expludo, explodo". A seguir, ressalva ele que, "o que conta é o registro culto , formal ."

Tereza Piacentini invoca Antônio Houaiss como defensor do "eu explodo, que eu exploda". Mas se o Houaiss registra essas formas hoje, poderá mudar numa próxima edição .

Isso já ocorreu com o Aurélio, que em determinada edição, também ensinou, de modo tortuoso, essa conjugação de adequar. Mas corrigiu na edição seguinte.

E ela mesma, Piacentini, recomenda que se evitem essas conjugações em concursos, vestibulares etc. - Por quê? Naturalmente porque o candidato perderia os pontinhos tão almejados. - Então, amigos (as), quando se depararem com a possibilidade de empregar adéqüe / adéqüem, não tenham dúvidas e substituam essas formas esdrúxulas. Lancem mão de um sinônimo ou recorram aos verbos auxiliares: - Em vez de eu adequo ou eu me adéquo, digam eu me adapto, amoldo-me, vou adequar, ajusto-me, quero me adequar.

A regra é simples: - O verbo adequar só é conjugado nas formas arrizotônicas, isto é, aquelas em que a sílaba tônica recai fora do radical . Ex. Adequarei, adequarias, adequamos, adequasse, adeqüei etc.

NOTAS – 1. Os criadores de modismos estão lançando o falso adjetivo massivo. “Desenvolvimento massivo; presença massiva” etc. Não existe massivo em nenhum dicionário. O adjetivo é maciço. Assistência maciça; comparecimento maciço, investimento maciço, desenvolvimento maciço; presença maciça etc.

2. Vossa Excelência , Vossa Senhoria , Vossa Reverendíssima etc. são pronomes de tratamento da 3ª pessoa do singular . Portanto, erra quem diz: “V. Exª foi injusta na vossa decisão!” O certo é: “V. Exª foi injusto na sua decisão”. Só caberia injusta se fosse uma juíza. Mas, vosso ou vossa, jamais.

3. No Sudeste do Brasil impera a moda desta pronúncia : contróle (quando substantivo), éxtra, féchar, subzídio, gratuíto. Também: "eu falei pra ele..." (em vez de: eu disse a ele...) - Não é por aí! A pronúncia é : controle (trô), extra (ê), fechar ( fê ), subsídio (ssí) – {o S está entre consoante e vogal } –, gratuito , fortuito (tui), eu disse a ele, e assim por diante .

Quem fala, fala de, fala sobre, fala para, fala em, etc. Falar exige sempre preposição. - Dizer é dar recado certeiro. Falar, muitas vezes, é blablablá. Daí o adágio: “falou, falou e nada disse”.

Mais: constitui vício bobo a pronúncia naicer, creicer, naicimento etc. Escreve-se e pronuncia-se deste modo: nascer (nacer), crescer (crecer), nascimento (nacimento). O S é mudinho da silva .

José Fernandes Costa – jfc1937@yahoo.com.br