COLUNA "José Fernandes Costa"
 

 

Mediocridades.com...



Quando escrevo algumas linhas sobre a língua portuguesa, dirijo-me àqueles que tiveram a chance de ir à escola. Principalmente àqueles que tiveram mais sorte e fizeram uma graduação em escola de nível superior. E são muitos e muitos. A maioria tem especialização nisso e naquilo. Tem mestrado, doutorado e mais nem sei o quê. Tem e ostenta, exigindo até que os trate por doutor.

Já disse aqui que respeito muito a linguagem do povo simples que não pôde ir à escola. Seja ele dos campos, seja das cidades. Entendo muito bem a fala dessas pessoas e aprendo muitas coisas com a sua simplicidade. Quase sempre, são pessoas bondosas, educadas e acolhedoras. Diferentemente da grande maioria dos doutores. Estes, em sua maioria, são feitos nas coxas.

Com esse costume que tenho de zelar pelo bom uso do nosso idioma, alguns bobos querem tirar uma casquinha em mim: a Lucinha Peixoto e o seu diretor sem nome são exemplos.

Incomodados com a minha indiferença, puseram-me um apelido. Mas só ganha apelido quem tem nome. Não costumo perder tempo lendo o blog da CIT, porque ele não tem nada que preste. Nem ao menos segue os moldes dos blogs instrutivos. Porque estes, os instrutivos e informativos, deixam janelas para quem queira fazer comentários e para quem deseje ler os comentários acaso feitos.

Como o blog da CIT é pobre de conteúdo, seus criadores não querem correr o risco de ser comentados. Por medo ou por covardia, gente que não diz o nome, também tem medo de se expor.

Mesmo sem tempo a desperdiçar, aproveitei o sábado e dei uma olhada em duas baboseiras escritas naquele blog. Foi aí que vi o meu nome escrito de outra forma. Achei o nome sugestivo, pois foi andando de costas que cheguei ao blog da CIT.

Nunca havia visto tanta bobagem escrita num só espaço. Só li dois textos. Ambos medíocres e embaralhados. Um do diretor sem nome (É de fazer chorar???), e o outro da Lucinha Peixoto (A favorita). Foi o suficiente para me oferecer o mote para essas mal-traçadas linhas.

A certa altura, a Lucinha diz que "no primeiro ano primário, já sabia ler correto e escrever correto." Ela se esqueceu de dizer que só aprendeu a escrever "correto" (tanto esforço para aprender a escrever uma só palavra!) E que NÃO aprendeu a escrever corretamente. Entretanto, se ela aprendeu nos tempos de menina, desaprendeu tudo com o peso da idade. Porque não se faz cirurgia plástica na mente, nem na memória. Muito menos no espírito.

O que a Lucinha escreve não demonstra que ela tenha, um dia, aprendido a escrever. Mas, como dito acima, se ela aprendeu, o tempo se encarregou de apagar. Justiça seja feita.

Quanto ao diretor sem nome, a sua pobreza de redação é assustadora. Juntando o diretor sem nome e a sua diretora com nome, para escreverem a quatro mãos, dessa junção deve nascer um monstrengo. E o monstrengo resultante, também deverá ficar sem nome.

Isso é o que manda a boa lógica. Pois a mediocridade nem de costas anda. A mediocridade anda sempre para trás. E é o que estamos vendo nesses mal-escritos.

Não por acaso a Lucinha fala da pedra em cima da mesa da professora, e das necessidades fisiológicas dos seus colegas. Por isso que sai tanta diarréia nas escritas desses dois protótipos da insanidade escrevinhadora.

E a Lucinha Peixoto disse, em outro seu mal-escrito, que eu sofro de xenofobia lingüística. Só que ela também tropeçou numa pedra no meio do caminho. E criou um adjetivo horrível e extravagante: xenofóba (?). Não entendi, mas deduzi. Ela ia escrever xanofóba e trocou uma letra. Xanofóba deve ser a fusão da xana com o foba. A única dúvida que tenho é sobre o acento que ela botou no foba. Pra quê?

Mas enquanto a Lucinha criou o xanofóba, o diretor sem nome criou o substantivo agrurias (e não é erro de digitação, porque ele assim o escreveu duas vezes!) Achando pouco, esse diretor anônimo, inventou o ganhar grátis. Até então, nós sábíamos que ganhar é sempre grátis. Não obstante, agora sabemos que existe o ganhar pago.

Neste ano de 2008, quando se comemoram os 70 anos da publicação de Vidas secas, do Mestre Graça, e os 100 anos da morte de Machado de Assis, aproveito para fazer uma homenagem às avessas, a estes dois expoentes da nossa literatura: Graciliano Ramos e Machado de Assis.

A homenagem às avessas é esta: o diretor sem nome representa o Velho Graça, ao contrário. Essa escolha tem a seguinte lógica: os filhos de Fabiano e sinhá Vitória, também não tinham nome. Eram o menino mais velho e o menino mais novo. Muito embora, ninguém ali fosse chamado de diretor-presidente. Isso não foi obra do acaso. Apenas porque Graciliano sabia das coisas. E sabia escrever, assinando embaixo.

Quanto ao fato de a Lucinha figurar como Machado de Assis, também ao contrário, é mera coincidência. Talvez porque ela aprendeu a escrever correto (só esse adjetivo), mas se esqueceu de aprender a escrever corretamente, isto é, de modo correto.

José Fernandes Costa - 12.12.2008