COLUNA "José Fernandes Costa"
 

 

O Colégio São Bento





Num momento. Lembro-me do São Bento. Do colégio e sua gente. Sempre presente. A horta, o aviário. Tudo aquilo, quase um santuário. Mas, na minha mente, parecia ausente. Agora, nessa hora, li a poesia de Lúcia Apolinário. Filha de funcionário. Do seu Rodrigo. Bom amigo. Debaixo daquele bigodão. Parecia bravo que nem leão. Pura ilusão. Vivia para trabalhar. E cuidar das aves. Por elas, as aves, detinha as chaves. Da comida, da bebida, dos remédios. Ali não havia tédios.


Lembro-me dos prédios. E da marinete. Com David e seu Biu. Esta, a marinete, não era mulher, como você quer. Não era a Suzete. Outra mulher que se repete. Mas era o lotação, carregando um montão. De professores e outros graduados. Às vezes, se havia vagas, sem adagas, entravam alguns estudantes. Circunstantes. Mas pra estes, sim, havia a caminhoneta. Que não era ruim e não saía da reta. Com David ou com seu Biu. Ouviu?

E por falar em David e seu Biu, onde já se viu, tanta memória, com essa história. Seu Biu e David eram prestativos, ativos nas suas atividades. Aqui e ali. Sem maldades. Seu Biu, bonachão, brincalhão. David, mais sisudo, também ótima pessoa, em tudo. Que coisa boa! Com alegrias, todos os dias.

Mas por que esses arremedos poesias? Cheio de dedos. São nostalgias. Falemos também do Dom Agostinho. Ao menos, mais um pouquinho. Porque outros já falaram. Cantaram e decantaram. Pessoa sem defeito, não era perfeito, porque humano era. Será quimera, de minha parte. Não me parece arte. Dom Agostinho era o vigário, o veterinário, e o médico do pobre. Alma nobre. Zootecnista. Muito simples, sem ser simplista.

Possuía graduação. Descendia de alemão. Grande conhecedor do nosso português. Eis aí os porquês. Uma vida dedicada à pobreza. Quanta grandeza! A natureza lhe fazia bem. No seu vaivém. Não era ágil no caminhar. Saúde frágil a se notar. Um dos pulmões lhe faltava. Era o que se falava. Mas isso não influía no seu dia-a-dia. Apresentava-se sempre com alegria. Humano. Entre todos, era o decano. Do dom Agostinho, muito já se falou. De mansinho ou aos borbotões. Sem ilusões. Recordações. Mas o tema não se esgotou. E muito ainda há de se falar. Enquanto memória houver, o que a gente quer, é continuar. E destacar o homem, o professor, o educador. Sem nenhum favor. Mas com louvor. Não subtraiam, nem saiam. Somem. Falemos daquele homem.

E notas tomem. Como gente e professor, doutor ou não-doutor, havia muito mais. Alguns ficaram nos anais. Outros não. As coisas vêm e vão. Aqui entra o doutor Osvaldo Martins, com seus sins. Que nos dava respaldo. Martins Furtado de Souza. E quem ousa, dele falar, dessa figura singular. Tem que saber se expressar. Não serei eu, por saber me faltar. Quero eu tanto ter. O dom de conhecer. Mais e muito mais, do doutor Osvaldo, no rescaldo desse poema, tema eu ou não tema, pouco direi. Mas sei. Ele era o nosso vice-diretor. E professor. De Agricultura e algo mais. Tinha cultura. E gostava das culturas e dos cultivos. Dos seres vivos. Gostava de fumar. Estava sempre a pitar, o seu cigarro.

Homem bizarro. Primava pelas boas maneiras. Sem brincadeiras. Era sério, amigo, assim o digo. Porque assim o vi. Conheci. De perto. O homem certo para a função que exercia. Com sabedoria. De bom coração. Eis aí o grande cidadão. Ainda hoje o leio, sem receio, claro. Nos jornais e tudo o mais quanto escreva. Quem queira que se atreva. Que o conteste. E tu, por que não o fizeste? É prazer raro, e caro, vê-lo defender, com o seu saber. As plantas, que são tantas. As árvores centenárias. Várias e várias. O meio ambiente, no meio dessa gente, que a tudo despreza e menospreza. Por maldade ou desconhecimento.

Dessas coisas do momento, que um dia nos irão atormentar. Sem falar, que já nos estão atormentando. E não é de quando em quando. São todo os dias. Eis aí as ironias. Da vida. Quanta lida. Vale a pena. Essa cena desprendida. De quem ama a vida dos seus semelhantes. Instante a instantes. Quanta coisa a gente diz. Assim se faz e assim eu fiz. Pensando. Rimando ou sem rimar, porque o bom é nos animar. E aqui devo parar, pra não mais me alongar. Pelo sim, pelo não, outros comentários virão. E se me for permitido, de intrometido, falarei de outros e mais outros. Falarei ainda do professor Roldão! Pelo sim, pelo não.

Quanta pretensão! Que eu peça, para essa, a sua publicação.

Abraço a todos. Sem apodos. Com paz, amor, saúde e alegrias. Todos os dias, dessa nossa vida. Calma ou aturdida, mas é tida e vale como um bem. E é isso que nos convém. - a) José Fernandes Costa - Ex-aluno dos cursos de Iniciação Agrícola e Mestria Agrícola - no período de 1954 a 1957. Concluiu em dezembro de 1957.