COLUNA "José Fernandes Costa"
 

 

Com teu tempo






Lucinha, o que tens feito? / Com esse tempo desmedido

/ tu que a tudo dás jeito / nesse tom desinibido

/ teu tempo é o nosso tempo / que de teimoso não pára

/ é tempo e não contratempo / este sim a gente encara.


Tanto que fico aturdido / muitas vezes que te leio

/ isso é fato e é sabido / pois não sei fazer rodeio

/ posso falar sem pensar / tangido pela emoção

/ e sempre que eu errar / é coisa do coração.


No momento, estou pensando / pra te mandar estes versos

/ sinceridade pulsando / sentimentos submersos

/ pensamentos escondidos / num coração que tem voz

/ na vida que tem sentidos / que fala a muitos de nós.


E meios termos não há / quando falo da amiga

/ quem sabe tem o que dá / quem não sabe faz intriga

/ já tivemos discordâncias / coisa muito salutar

/ no mundo das relevâncias / vive-se para avaliar.


Mas não devemos julgar / por um simples preconceito

/ para que se antecipar / só procurando defeito?

/ Discordar é contradita / e dela surgem as idéias

/ nessa procura infinita / não se usam panacéias.


Verdades são pra ser ditas / em dosagem equilibrada

/ mas há gentes esquisitas / que nos tiram da jogada

/ e aí alguém se esquenta / pega o fio da meada

/ com isso a polêmica aumenta / e agita a caminhada.


Quem não agüenta a parada / e não tem o fundamento

/ mantenha a boca calada / não diga coisas ao vento

/ mas não me vou desviar / para o debate pequeno

/ vim pra te homenagear / no teu jeito sempre ameno.


Brindemos nossa amizade / que ela é sempre bem-vinda

/ é sentimento que invade / no tempo que nunca finda

/ deixo aqui o meu abraço / saído do coração

/ é coisa que sempre faço / por dever de gratidão.


Com quem já mostrou o traço / da divina inspiração

/ tu já tens o teu espaço / e não queres louvação

/ não se pode ser fingido / no afã de agradar

/ só digo o que é sentido / não é falar por falar.


É pensar bem refletido / só procuro me inspirar

/ pra dizer o merecido / passei a te admirar

/ tens teu marco definido / e ninguém te vai mudar

/ teu pensamento é nutrido / e quem ousa contestar?


Louvo a tua coerência / Lucinha, devo dizer

/ se a vida não tem decência / não se precisa viver

/ dorme com a sabedoria / e acorda com a esperança

/ está vindo um belo dia / e um porvir de bonança.


Deita na noite profunda / radiante é o novo dia

/ um sentimento te inunda / o sonhar é poesia

/ a madrugada é o descanso / da mente que tudo cria

/ o clarear vem de manso / e a aurora principia.


No tempo que se anuncia / segue a tua temperança

/ na vida que te alumia / nessa busca que não cansa

/ brindemos o novo dia / com orgulho e confiança

/ donde tudo principia / e se enche de pujança.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br