|
Com
teu tempo
Lucinha, o que tens feito? / Com esse tempo desmedido
/ tu que a tudo dás jeito / nesse tom desinibido
/ teu tempo é o nosso tempo / que de teimoso não pára
/ é tempo e não contratempo / este sim a gente encara.
Tanto que fico aturdido / muitas vezes que te leio
/ isso é fato e é sabido / pois não sei fazer rodeio
/ posso falar sem pensar / tangido pela emoção
/ e sempre que eu errar / é coisa do coração.
No momento, estou pensando / pra te mandar estes versos
/ sinceridade pulsando / sentimentos submersos
/ pensamentos escondidos / num coração que tem voz
/ na vida que tem sentidos / que fala a muitos de nós.
E meios termos não há / quando falo da amiga
/ quem sabe tem o que dá / quem não sabe faz intriga
/ já tivemos discordâncias / coisa muito salutar
/ no mundo das relevâncias / vive-se para avaliar.
Mas não devemos julgar / por um simples preconceito
/ para que se antecipar / só procurando defeito?
/ Discordar é contradita / e dela surgem as idéias
/ nessa procura infinita / não se usam panacéias.
Verdades são pra ser ditas / em dosagem equilibrada
/ mas há gentes esquisitas / que nos tiram da jogada
/ e aí alguém se esquenta / pega o fio da meada
/ com isso a polêmica aumenta / e agita a caminhada.
Quem não agüenta a parada / e não tem o fundamento
/ mantenha a boca calada / não diga coisas ao vento
/ mas não me vou desviar / para o debate pequeno
/ vim pra te homenagear / no teu jeito sempre ameno.
Brindemos nossa amizade / que ela é sempre bem-vinda
/ é sentimento que invade / no tempo que nunca finda
/ deixo aqui o meu abraço / saído do coração
/ é coisa que sempre faço / por dever de gratidão.
Com quem já mostrou o traço / da divina inspiração
/ tu já tens o teu espaço / e não queres louvação
/ não se pode ser fingido / no afã de agradar
/ só digo o que é sentido / não é falar por
falar.
É pensar bem refletido / só procuro me inspirar
/ pra dizer o merecido / passei a te admirar
/ tens teu marco definido / e ninguém te vai mudar
/ teu pensamento é nutrido / e quem ousa contestar?
Louvo a tua coerência / Lucinha, devo dizer
/ se a vida não tem decência / não se precisa viver
/ dorme com a sabedoria / e acorda com a esperança
/ está vindo um belo dia / e um porvir de bonança.
Deita na noite profunda / radiante é o novo dia
/ um sentimento te inunda / o sonhar é poesia
/ a madrugada é o descanso / da mente que tudo cria
/ o clarear vem de manso / e a aurora principia.
No tempo que se anuncia / segue a tua temperança
/ na vida que te alumia / nessa busca que não cansa
/ brindemos o novo dia / com orgulho e confiança
/ donde tudo principia / e se enche de pujança.
José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br
|
|