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Resposta a um amigo
Prezado Felipe Alapenha: deixe que a hora lhe convenha! Escreva quando
puder e quando tempo houver. Idéias não lhe vão faltar.
No seu pensar, elas podem até escassear. Mas não lhe faltarão.
Ah, isso, não!
Do tempo, a gente dispõe. E nele, a idéia se justapõe.
Volte a escrever, breve. Se o tom é leve, não é pesado;
que seja do seu agrado. Diga o que pensa, pois você bem pensa. Essa
é a diferença. E você diz que escreve pouco. Mas o
pouco, pode ser suficiente. Quando esse pouco é inteligente. Escrever
muito, não é tudo. Vale o conteúdo. A essência
no escrever. A decência e o saber dizer. Algumas palavras bem-ditas,
anulam laudas e laudas mal-escritas. Muitas destas são natimortas:
vazias, ocas, emviesadas, tortas.
Quanto aos verborrágicos, se não são comediantes,
ou infamantes, são trágicos. Deixe que passem. E que se
entrelacem. Felizes ou infelizes, eles não sabem o que dizem. E
se contradizem. Porque falar não é dizer. Também
não é fazer. Falar, muitas vezes, é tagarelar. Pode
ser bisbilhotar. Que sirva ou não sirva de apanágio, lembre-se
do adágio: "Falou, falou e não disse nada!" Pra
esses, melhor seria boca calada.
Linsonjas, elogios? Se aos seus brios fazem bem, a nós também!
Mas não é isso que pretendemos. Não há vaidade,
queremos só disseminar a verdade. Sem alarde. São sentimentos
que, por momentos, chegam sem pretensão. Embalados em consideração.//.
José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br
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