COLUNA "José Fernandes Costa"
 


O boom da virada



Falemos hoje de coisa que todos temos. Porque, saúde pública, moradia, renda, escola pública etc., nem todos têm. Na minha vida pregressa, as melhores universidades que conheci foram o rádio e a televisão. No rádio, vi um locutor de Barbalha (CE) que, por mais que tentasse, durante cinco ou seis minutos, não conseguiu pronunciar a palavra reenergizadas. E a coisa virou galhofa. Vi também o radialista de João Pessoa, falando das quengas, vagabundas, cachorras, ordinárias etc., referindo-se às nossas exuberantes modelos. Vi Gino César, na Rádio Jornal do Commercio, dizer que estrangeiro não é alienígena. Que pensava que o cidadão tal era um alienígena, mas descobriu que o desconhecido era alemão. E por aí vai. Não televisão, temos a Adriane Galisteu, o Maguila, a Ana Maria Brega, o Bam-bam, a Lucianta Gimenez, o Popó, a Carla Perez, enfim, essas sumidades da inteligência nacional. Confesso que muito aprendi nessas duas universidades. Quer seja com essas sapiências citadas, quer seja com muitas outras não menos famosas. Ah!, havia esquecido da Xuxa, a rainha a pornochanchada, que hoje posa de estrela do bem.

No recém-passado 16 de outubro, aprendi mais uma lição, com um comentarista de economia, do Sudeste maravilha, na Rádio CBN. Entre outras, disse o moço: não sabemos ainda quando chega o boom da virada. Seria isso uma ambigüidade, ou ele estava falando mesmo do bunda-virada?

Nos meus tempos de moleque, passando pelo tempo não tão moleque, conheci o bunda-mole, o bunda-pra-lua, o bunda-suja (Zé-ninguém). Agora, conheci a bunda-dura, na versão de Arnaldo Jabor, ao se referir às mulheres arrumadinhas e muito bem esticadinhas. Mas ainda não havia conhecido o bunda-virada. A meu ver, o comentarista bastaria dizer que não sabemos quando se dá a virada no mercado. Creio que bunda-virada seja novo formato de bunda virada pra lua. Ou simplesmente bunda-pra-lua, significando o (a) cara de muita sorte. Tanto que o comentarista da CBN falava sobre bolsas de valores. Quanto ao tal bunda-pra-lua, a molecada dizia, para encarnar no colega: fulano nasceu com a bunda-pra-lua. Aí a moda pegava e o cara ficava sendo chamado de o bunda-pra-lua.

Não por acaso, o repórter em questão especializou-se em aplicações em fundos etc., e comentava especificamente bolsas de valores, coisa que, para os neófitos, sempre dá azar.

Mas, conforme prometi, estou falando de coisa que todos têm. Apenas umas um pouco murchinhas, outras mais cheinhas, e outras ainda, bem mais abundantes!

Posto isso, considero entendida e explicada a aula que me foi dada pelo brilhante comentarista, que se referiu por duas vezes ao boom da virada. Deixo aqui o registro dos meus aprendizados nessas universidades populares. Creio que os meus três ou quatro leitores também já aprenderam muita coisa com essa imprensa tantas vezes indecente. E quase sempre indecorosa.

E como o objetivo foi falar de abundâncias, deixo pra abordar essa imprensa suja, noutra ocasião.

Zé (Fernandes Costa.)