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O boom da virada
Falemos
hoje de coisa que todos temos. Porque, saúde pública, moradia,
renda, escola pública etc., nem todos têm. Na minha vida
pregressa, as melhores universidades que conheci foram o rádio
e a televisão. No rádio, vi um locutor de Barbalha (CE)
que, por mais que tentasse, durante cinco ou seis minutos, não
conseguiu pronunciar a palavra reenergizadas. E a coisa virou galhofa.
Vi também o radialista de João Pessoa, falando das quengas,
vagabundas, cachorras, ordinárias etc., referindo-se às
nossas exuberantes modelos. Vi Gino César, na Rádio Jornal
do Commercio, dizer que estrangeiro não é alienígena.
Que pensava que o cidadão tal era um alienígena, mas descobriu
que o desconhecido era alemão. E por aí vai. Não
televisão, temos a Adriane Galisteu, o Maguila, a Ana Maria Brega,
o Bam-bam, a Lucianta Gimenez, o Popó, a Carla Perez, enfim, essas
sumidades da inteligência nacional. Confesso que muito aprendi nessas
duas universidades. Quer seja com essas sapiências citadas, quer
seja com muitas outras não menos famosas. Ah!, havia esquecido
da Xuxa, a rainha a pornochanchada, que hoje posa de estrela do bem.
No recém-passado 16 de outubro, aprendi mais uma lição,
com um comentarista de economia, do Sudeste maravilha, na Rádio
CBN. Entre outras, disse o moço: não sabemos ainda quando
chega o boom da virada. Seria isso uma ambigüidade, ou ele estava
falando mesmo do bunda-virada?
Nos meus tempos de moleque, passando pelo tempo não tão
moleque, conheci o bunda-mole, o bunda-pra-lua, o bunda-suja (Zé-ninguém).
Agora, conheci a bunda-dura, na versão de Arnaldo Jabor, ao se
referir às mulheres arrumadinhas e muito bem esticadinhas. Mas
ainda não havia conhecido o bunda-virada. A meu ver, o comentarista
bastaria dizer que não sabemos quando se dá a virada no
mercado. Creio que bunda-virada seja novo formato de bunda virada pra
lua. Ou simplesmente bunda-pra-lua, significando o (a) cara de muita sorte.
Tanto que o comentarista da CBN falava sobre bolsas de valores. Quanto
ao tal bunda-pra-lua, a molecada dizia, para encarnar no colega: fulano
nasceu com a bunda-pra-lua. Aí a moda pegava e o cara ficava sendo
chamado de o bunda-pra-lua.
Não por acaso, o repórter em questão especializou-se
em aplicações em fundos etc., e comentava especificamente
bolsas de valores, coisa que, para os neófitos, sempre dá
azar.
Mas, conforme prometi, estou falando de coisa que todos têm. Apenas
umas um pouco murchinhas, outras mais cheinhas, e outras ainda, bem mais
abundantes!
Posto isso, considero entendida e explicada a aula que me foi dada pelo
brilhante comentarista, que se referiu por duas vezes ao boom da virada.
Deixo aqui o registro dos meus aprendizados nessas universidades populares.
Creio que os meus três ou quatro leitores também já
aprenderam muita coisa com essa imprensa tantas vezes indecente. E quase
sempre indecorosa.
E como o objetivo foi falar de abundâncias, deixo pra abordar essa
imprensa suja, noutra ocasião.
Zé
(Fernandes Costa.)
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