COLUNA

"José Fernandes Costa"

 

 


A RESPEITO DO NOSSO IDIOMA (!)

 







"Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta."

(Voltaire.)



Mea-culpa:





RECEBI DE ALGUÉM.

E permito-me uns "pitacos". - Porque depois do "acordo ortográfico" (comercial), a coisa desandou de vez. - Sobre o hífen, muitos dos que eram, deixaram de ser. Outros, que não eram, passaram a ser. - E mais: muitos e muitos continuaram sendo. Eis a zorra: o que era difícil, ficou dificílimo. Quem não sabia como empregar o hífen, endoidou de vez! - Além disso, há outras considerações que julgo oportunas. - Se alguém NÃO as julgar oportunas, perdoe-me. - E desprezem-nas.

Quem quiser, veja os "pitacos" logo após o original e no meio deste. - MAS, SEM ESSA de "professor" - São simples observações.

E NÃO concordo com essa de "certo ou errado, correto ou incorreto". - TAMBÉM NÃO sou adepto das bobagens do seu Marcos Bagno, quanto ao modo de falarmos e escrevermos. - Assim também, NÃO admito a hipocrisia da professora Heloísa Ramos, com sua "cartilha 'dos livro estão emprestado; nós pega os peixe' etc."' - A dona Heloísa deve ter sido aluna do seu Bagno.
Por ora, vejamos: - O que estiver marcado de AZUL ou ROXO, fui eu que "mexi", de enxerido.
Agradeço àqueles (as) que me corrigirem onde eu houver tropeçado./.
José Fernandes Costa
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To: undisclosed-recipients:
Sent: Wednesday, September 07, 2011 2:59 PM
Subject: Fwd: FW: APRENDA O BOM PORTUGUÊS (???)

PROFESSORAS e PROFESSORES, CPNCORDAM?

AULA DE PORTUGUÊS (???)
1 - "Custas só se usa na linguagem jurídica". Para designar despesas feitas no processo. Portanto, devemos dizer: "O filho vive à custa do pai". No singular.
2 - Não existe a expressão "à medida em que". Ou se usa à medida que, correspondente à
proporção que, ou se usa na medida em que, equivalente a tendo em vista que.
3 - O certo é "a meu ver" e não ao meu ver.
4 - "A princípio" significa inicialmente, "antes de mais nada": Ex: A princípio, quero dizer que estou bem. "Em princípio" quer dizer "em tese". Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão. - "A princípio, vamos tratar de outro tema."
5 - "À-toa", (com hífen), é um adjetivo e significa "inútil", "desprezível". Ex: Esse rapaz é um sujeito à-toa. "À toa", (sem hífen), é uma locução adverbial e quer dizer "a esmo", "inutilmente". Ex: Andava à toa na vida.
NOTA (atenção): - Depois da reforminha ortográfica, acabou isso. É tudo sem hífen: - Indivíduo à toa, mulher à toa (adjetivos); - andar à toa, viver à toa (locuções).
6 - Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: "Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe..." Mas podemos dizer: "Caso o veja por aí...".
7 - "Acerca de" quer dizer 'a respeito de'". - Veja: falei com ele acerca de um problema matemático. Mas há cerca de é uma expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. - Veja: Há cerca de um mês que não a vejo.
Atenção! Ainda: - "Cerca de 50% do alunado desistiu de concorrer." - (Pelo menos, ao menos etc.) - E por que o ponto fica dentro das aspas? - Porque a frase encerrou o assunto proposto.
8 - Não esqueçam: alface é substantivo feminino. - A alface está bem verdinha.
9 - Além* pede sempre o hífen: além-mar, além-fronteiras, etc.
* - Igual procedimento para aquém, sem e recém. - recém-nascido; recém-chegado. / Sem-vergonha; sem-terra. / Aquém-oceano; aquém-arrecifes.
10 - Algures é um advérbio de lugar e quer dizer "em algum lugar". Já alhures significa "em outro lugar".
11 - Mantenha o timbre fechado do o no plural destas palavras: almoços, bolsos, estojos, esposos, sogros, polvos, etc.
12 - O certo é alto-falante, e não auto-falante. - * Também: alto-relevo; alto-minhoto, alto-navarro etc. Tudo com hífen.
13 - O correto é alugam-se casas, e não aluga-se casas. Mas devemos dizer precisa-se de empregados, trata-se de problemas. Observe a presença da preposição (de) após o verbo. É a dica pra não errar.
Dói nos nossos ouvidos, quando alguém diz: "Tratam-se de tempos passados" (???)
14 - Depois de ditongo, geralmente se emprega x. Veja: afrouxar, encaixe, feixe, baixa, faixa, frouxo, rouxinol, trouxa, peixe, etc.
15 - Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.
16 - Só use ao invés de para significar ao contrário de, ou seja, com idéia de oposição. Veja: ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a idéia* de oposição. Veja: em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).
* - Observem que ideia NÃO carrega mais esse acento. - Coisas do "acordinho", de que falei acima.
NOTA: - Na dúvida, empregue "em vez de" - Não esquente a cabeça pra não derreter os chifres! 17 - Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois ss. - Escreva sempre com o s dobrado.
18 - Não existe preço barato ou preço caro. Só existe preço alto ou baixo. - O produto, sim, é que pode ser caro ou barato. - Veja: esse televisor é muito caro. O preço desse televisor é alto.
19 - Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo, sempre com hífen.
NOTA: - O hífen foi mantido após a reforminha. Veja lá embaixo.
20 - Atenção: nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc. O nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Brasil foi bicampeão em 1962.
21 - Veja bem: uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês, ou seja, de 15 em 15 dias. - Mas, a revista bimestral só sai nas* bancas de dois em dois meses. Perceberam a diferença?
* - Só sai às bancas. - As revistas NÃO saem, nem chegam nas bancas! - Elas chegam nos aviões e vão para as bancas ou às bancas. - O que sobrar delas, depois, saem das bancas e entram nos aviões, com destino às editoras.
22 - Hoje, tanto se diz boêmia como boemia. - Nelson Gonçalves consagrou a segunda, com a tonacidade(*) no mia.
(*) - Mamãe me acorde! Que danado é "tonacidade"? - O professor quis dizer tonicidade.
23 - Cuidado: - Eu caibo dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.
24 - Preste atenção: - O senador Luiz Estêvão foi cassado. Mas o leão foi caçado e nunca foi achado. Portanto, cassar (com dois ss) quer dizer tornar nulo, sem efeito.
25 - Existem palavras que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns(*), os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, as custas judiciais etc.
(*) - EM TEMPO: - Existe parabém, no singular. - Todavia, tem pouquíssimo uso.
26 - Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é caracteres. Então, Carlos pode ser um bom caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus caracteres.
27 - Cartão de crédito e cartão de visita não pedem hífen. - Mas cartão-postal exige o tracinho.
Mais: - Cartão-resposta, cartão-pedra etc. - E uma das razões para cartão de crédito não ter hífen, é a preposição de. / Assim como peça de museu.
NOTA: - Depois do fatídico acordo ortográfico, as expressões formadas por preposições, adjetivos, substantivos, advérbios e conjunções NÃO pedem mais hífen. - Exemplos: pé de moleque; pão de ló, tomara que caia, fim de semana, cor de café com leite, cor de vinho etc.
Salvo aquelas já consagradas pelo uso: - água-de-colônia, arco-da-velha; pé-de-meia; cor-de-rosa, mais-que-perfeito etc.
Exceção, também, para as expressões compostas que se referem à botânica e à zoologia: - cana-da-índia; cana-de-açúcar; boi-de-piranha; canário-da-índia; vaca-do-mato, boi-bumbá etc. - {Conforme novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp.)}
28 - Catequese se escreve com s, mas catequizar(*) é com z. Esse português...
29 - O exemplo acima foge de uma regrinha que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, etc.
(*) - OBSERVAÇÃO: - Analisar (analis + ar = analisar); pesquisar (pesquis + ar = pesquisar); avisar (avis + ar = avisar. - Agora, vejamos: catequese.
(Cateques... + ar, NÃO dá, porque o sufixo não se liga ao nome.) - Então, catequ + izar.
30 - Censo é de recenseamento; senso refere-se a juízo. - Veja: o censo deste ano deve ser feito com senso crítico.
31 - Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe. É, portanto, palavra masculina.
32 - Cidadão só tem um plural: cidadãos.
33 - Cincoenta não existe. - Escreva sempre cinqüenta. - Perdeu o trema na reforminha.
34 - Ainda tem gente que erra quando vai falar gratuito e dá tonicidade ao i, como se fosse gratuíto*. - O certo é gratuito, da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito etc.
* - Muito usado no Sudeste, especialmente em SP. - É asnice mesmo. - Vide TVs e rádios etc. (Entrevistas e que tais.)
35 - E ainda tem gente que teima em dizer rúbrica, em vez de rubrica, com a sílaba bri mais forte que as outras. - Escreva e diga sempre rubrica.
36 - Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.
37 - Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição (????) da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.
ALTO LÁ! - Houve um tropeço do professor: - O verbo computar é regularíssimo e se conjuga em todas as suas formas: eu computo, tu computas, ele computa; computa tu (imperativo afirmativo).
Por que esse preconceito com as nossas putas? - Elas merecem respeito, claro.
38 - Outra vez atenção: os verbos terminados em -uar fazem a segunda (?) e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo (?) e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que eles continuem assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava.
MAIS UMA VEZ, ALTO LÁ: - É todo o presente do subjuntivo. NADA de pessoas do indicativo: que eu continue, que tu continues, que ele continue, que nós continuemos, que vós continueis, que eles continuem; efetue, efetues, efetue ... ; insinue, insinues, insinue ... - Quanto ao imperativo afirmativo, SIM.
39 - A propósito do item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir devem ser escritos naqueles tempos com -i, e não -e. Veja: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.
Há um porém aqui: - Em vez de terceira pessoa do imperativo afirmativo, é a segunda pessoa: contribui tu, influi tu, diminui tu etc.
40 - 'Coser significa costurar'(*). 'Cozer significa cozinhar'(*).
(*) - Aspas simples só devem ser usadas dentro de frases com aspas duplas. Exemplo: "Todo bobo é metido a sabido. Mas termina fazendo papel de 'panaca', pra variar."'
41 - 'O correto é dizer deputado por São Paulo', 'senador por Pernambuco', (*) e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.
(*) - Olhem as aspas simples em lugar indevido!
42 - 'Descriminar' (*) é absolver de crime, inocentar. 'Discriminar' (*) é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.
Preferível: - Descriminalizar.
43 - 'Dia a dia (*) (sem hífen) é uma expressão adverbial que quer dizer todos os dias, dia após dia'. Por exemplo: Dia a dia minha saudade vai crescendo. Enquanto que 'dia-a-dia (com hífen) é um substantivo que significa cotidiano' e admite o artigo: O dia-a-dia dessa gente rica deve ser um tédio. (**) - Com a reforminha, acabou isso. - Fica tudo SEM hífen.
44 - 'A pronúncia certa é disenteria', (*) e não desinteria.(*)
(*) - NÃO só a pronúncia. A grafia também. Vejam lá.
45 - A palavra 'dó (pena) é masculina'. (*) Portanto, 'Sentimos muito dó daquela moça'. (*)
46 - 'Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular',(*) sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.
47 - 'Há duas formas de dizer'(*) : é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.
48 - Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: 'televisão em cores'(*) , e não a cores.
NOTA: - TV em preto e branco é o tira-teima. - (Tira-teima, também conservou o hífen.)
49 - Cuidado: 'emergir é vir à tona'(*) , vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas 'imergir é o contrário'(*) : é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar(*). - (Também manteve o hífen.)
50 - A confusão é grande, mas 'se admitem as três grafias'(*) : 'enfarte, enfarto e infarto'(*) .
51 - Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, 'estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos'(*) .
52 - E não esqueça: 'exceção é com ç'(*) , mas 'excesso é com dois ss'(*).
NOTA: - Vale lembrar que excesso NADA tem a ver com exceção! - O primeiro é o que sobra, diferença para mais. - A segunda é desvio dos padrões.
53 - Lembra-se dos 'verbos defectivos'(*) ? Lá vai mais um: 'falir'(*) . No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales...Horrível, não?
54 - Todas as expressões adverbiais formadas por 'palavras repetidas dispensam a crase'(*): 'frente a frente'(*), 'cara a cara'(*), 'gota a gota', 'face a face'(*), etc.
55 - Outra vez tome cuidado. Quando for ao supermercado, 'peça duzentos ou trezentos gramas'(*) de presunto, 'e não duzentas ou trezentas'(*) . Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. 'Se for a relva, aí sim, é feminino'(*) : não pise na grama; a grama está bem crescida.
56 - É frequente se ouvir no rádio ou na TV os entrevistados dizerem: Há muitos 'anos atrás...'(*) Talvez nem saibam que estão construindo uma frase redundante. Afinal, há já dá idéia(*) de passado. Ou se diz simplesmente 'há muito anos...'(*) ou 'muitos anos atrás...'(*) Escolha. Mas não junte o há com atrás.
(*) - (Ideia perdeu o acento, com a reforminha.)
57 - Cuidado nessa arapuca do português: as palavras paroxítonas terminadas em -n recebem acento gráfico, mas as terminadas em -ns não recebem: 'hífen'(*), 'hifens'(*); 'pólen'(*), 'polens'(*).
58 - Atenção: 'Ele interveio'(*) na discórdia, 'e não interviu'(*) . Afinal, 'o verbo intervir é derivado de vir'(*).
59 - 'Item não leva acento'(*) . Nem seu plural itens.
60 - O certo é 'a libido'(*) , feminino. Devo dizer: 'Minha libido'(*) hoje não tá legal.
61 - Todo mundo gosta de dizer 'magérrima'(*) , 'magríssima'(*) , mas o superlativo de magro é 'macérrimo'(*) .
NOTA: - Magérrimo também está corretíssimo.
62 - Antes de particípios não devemos usar melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2º grau. E nunca: os alunos melhor preparados...
63 - Essa história de 'mal com l'(*), e 'mau com u'(*) , até já cansou: É só decorar: 'Mal'(*) é antônimo de bem, e 'mau'(*) é antônomo de bom. É só substituir uma por outra nas frases para tirar a dúvida.
64 - Pronuncie 'máximo'(*) , como se houvesse dois ss no lugar do x. (Mássimo)
65 - Toda vez que disser: 'É meio-dia e meio você estará errando.'(*) O certo é: meio-dia e meia, ou seja, meio-dia e meia hora.
66 - Não tenho 'nada a ver'(*) com isso, e 'não haver'(*) com isso.
67 - 'Nem um nem outro'(*) leva o verbo para o singular: Nem um nem outro conseguiu cumprir o que prometeu.
68 - Toda vez que usar o 'verbo gostar'(*) tenha cuidado com a ligação que ele tem com a preposição de. Ex: a coisa de que mais gosto é passear no parque. A pessoa de que mais gosto é minha mãe.
Igual cuidado com o verbo PRECISAR. - Locutores da CBN, falam: "As informações que você precisa..." - NINGUÉM precisa informações. Precisamos de informações. Então, as informações de que você precisa...."
Preferir isso do que aquilo? - NEM pensar! - Prefiro fazer uma viagem a ter de ficar em casa.
69 - Lembre-se: 'pára' (*) (***), com acento, é do verbo parar, e 'para', sem acento, é a preposição. Portanto: Ele não pára de repetir para o amigo que tem um carro novo.
(***) - A reforminha acabou com isso, também. Tudo sem acento. - E vejam que da turma do
"para", só paraquedas e sua família ficou sem o hífen: paraquedista, paraquedismo etc.
Mas, para-raios, para-lamas, para-choque, para-sol etc.
70 - E tem mais: 'pelo'(*), (sem acento), é preposição (contração da preposição por com o artigo a ???) e pêlo, com acento, é o cabelo.
(???) - Antiga preposição per com o artigo "o". - Mais: com a tal reforminha pornográfica, acabou-se tudo. Era uma vez um acento. - É pelo das partes pudendas e pelo caminho afora. - E podem assentar-se com pelo ou sem pelo (verbo: assentar = pôr-se acomodada, apoiada em).
71 - E quer mais? 'Pêra'(*), a fruta, leva acento, só para diferenciar de uma antiga preposição também chamada 'pera'. Já o plural dispensa o acento: 'peras'(*). Dá pra entender? O jeito é decorar.(*)
NOTA: (*) - A antiga preposiçao era per. - E pera (fruta) NÃO tem mais acento.
72 - Ainda tem mais uma palavra com acento diferencial: 'pôde'(*), terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo poder. É para diferenciar de 'pode', a forma do presente do indicativo. - Então dizemos: Ele até que pôde fazer tudo aquilo, mas hoje não pode mais. Percebeu a diferença?
73 - 'Pôr só leva acento quando é verbo'(*): "Quero pôr tudo no seu devido lugar". Mas 'se for preposição, não leva acento'(*): Por qualquer coisa, ele se contenta. - * Vamos pôr os pratos sobre a mesa.
NOTA - (*) - Pôr (verbo) e pôde (de poder) mantiveram o acento circunflexo, mesmo após o acordinho.
74 - Fique atento: nunca diga, nem escreva 1 de abril, 1 de maio. Mas sempre: 'primeiro de abril'(*), 'primeiro de maio'(*). Prevalece o ordinal.
NOTA - NÃO é por aí, NÃO: - Escreve-se corretamente: 1º de abril; 1º de maio. - NÃO é o dia 1. É o dia 1º. - O que NÃO seria correto é escrever 01 de maio (??). - Esse 01, 08 só têm vez quando é para preencher espaços em formulários pré-impressos.
75 - É chato, pedante ou parece ser errado dizer quando eu 'vir'(*) Maria, darei o recado a ela. Mas esse é o emprego correto do 'verbo ver'(*) no futuro do subjuntivo. Se eu o vir, quando eu o vir. Mas quando é o verbo vir que está na jogada, a coisa muda: quando eu 'vier'(*), se eu 'vier'(*).
NADA de chato, nem de pedante. Só existe essa maneira de conjugação. - Por que seria chato ou pedante?
76 - Só use 'quantia'(*) para somas em dinheiro. Para o resto, pode usar 'quantidade'(*). Veja: Recebi a quantia de 20 mil reais. - Era grande a quantidade de animais no meio da pista.
77 - O prefixo 'recém'(*) sempre se separa (???) por hífen da palavra seguinte e deve ser pronunciado como oxítona: recém-chegado de Londres.
(???) - Separa, não. - UNE-SE por meio do hífen à palavra seguinte.
78 - Não esqueça: 'retificar é corrigir'(*), e 'ratificar é comprovar, reafirmar'(*): "Eu ratifico o que disse e retifico meus erros."
79 - Quando disser 'ruim'(*), diga como se a sílaba mais forte fosse - im. Não tem cabimento outra pronúncia.
80 - Fique atento: só empregamos 'São'(*) antes de nomes que começam por consoante: 'São Mateus'(*), 'São João'(*), 'São Tomé'(*), etc. Se o nome começa por vogal ou h, empregamos 'Santo: 'Santo Antônio(*), 'Santo Henrique'(*), etc.
81 - E lembre-se: 'seção, com ç'(*), quer dizer 'parte de um todo, departamento'(*): a seção eleitoral, a seção de esportes. Já 'sessão, com dois ss'(*), significa intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembléia, um acontecimento qualquer: 'A sessão do cinema demorou muito tempo'(*).
(**) - NÃO se esqueça de cessão = ato de ceder. - Você pode fazer uma cessão de direitos.
82 - Não confunda: 'senão'(*), (juntinho), quer dizer "caso contrário" e 'se não'(*), (separado), equivale a "se por acaso não". Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença?
83 - Tire esta dúvida: quando 'só'(*) é adjetivo equivale a sozinho e varia em número, ou seja, pode ir para o plural. Mas 'só'(*) como advérbio, quer dizer somente. Aí não se mexe. Veja: Brigaram e agora vivem sós (sozinhos). Só (somente) um bom diálogo os trará de volta.
84 - É comum vermos no rádio e na TV o entrevistado dizer: O que nos falta são 'subzídios'(*). (*) Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se 'ss'(*). Portanto, escreva 'subsídio'(*) e pronuncie 'subssídio'(*).
(*) - Notem que o s NÃO está entre duas vogais.
85 - 'Taxar' quer dizer 'tributar'(*), 'fixar preço'(*). 'Tachar'(*) é 'atribuir defeito'(*), 'acusar'(*).
86 - E nunca diga: 'Eu torço para o Flamengo'(*). Quem torce de verdade, 'torce pelo Flamengo'(*).
87 - Todo mundo tem dúvida, mas preste atenção: 50% dos estudantes passaram nos testes finais. Somente 1% terá condições de pagar a mensalidade. Acreditamos que 20% do eleitorado se abstenha de votar nas próximas eleições. Mais exemplos: 10% estão aptos a votar, mas 1% deles preferem fugir das urnas. Quer dizer, concorde com o mais próximo e saiba que essa regra é bastante flexível(*).
(*) - Por ser bastante flexível, prefira: - "... mas 1% deles prefere fugir das urnas."
88 - 'Um dos que'(*) deixa dúvidas, mas, pela norma culta, devemos pluralizar. Há gramáticos que aceitam o emprego do singular depois dessa expressão: Eu sou um dos que foram admitidos. Sandra é uma das que ouvem rádio.
89 - 'Veado'(*) se escreve com e, e não com I.
90 - Esse português da gente tem cada uma: 'tem viagem com G e viajem com J'(*) . Tire a dúvida: viagem é o substantivo: A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.
91 - O prefixo 'vice' sempre se separa por hífen da palavra seguinte: vice-prefeito, vice-governador, vice-reitor, vice-presidente, vice-diretor, etc.
92 - Geralmente, se usa o 'x depois da sílaba inicial en'(*): enxaguar, enxame, enxergar, enxaqueca, enxofre, enxada, enxoval, enxugar, etc. Mas cuidado com as exceções: encher e seus derivados (enchimento, enchente, enchido, preencher, etc) e quando -en se junta a um radical iniciado por ch: encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro), etc.
93 - Não adianta teimar: 'chuchu' se escreve mesmo é com 'ch'(*).
94 - 'Ciclo vicioso'(*) não existe. O correto é 'círculo vicioso'(*).
95 - E qual a diferença entre 'achar'(*) e 'encontrar'? Use 'achar'(*) para definir aquilo que se procura, e 'encontrar'(*) para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugiu na semana passada.
96 - 'Adentro'(*) é uma palavra só: meteu-se porta adentro. A lua sumiu noite adentro.
97 - Não existe 'adiar para depois'(*). Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.
98 - 'Afim'(*) (juntinho) tem relação com afinidade: gostos afins, palavras afins. 'A fim de'(*) (separado) equivale a para: veio logo a fim de me ver bem vestido.
99 - Pode parecer meio estranho, mas pode conjugar o 'verbo aguar'(*) normalmente: eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.

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Agora, outras observações. - Vamos lá:



a) "Fulano, enquanto professor, tem autoridade!" "Sicrano enquanto sindicalista, enquanto presidente, enquanto prefeito". - E por aí vão as bobagens.
NOTEM: enquanto liga orações. E NÃO pode ser empregado para substituir "na condição de professor, como professor, na qualidade de sindicalista etc. etc. - "Enquanto tu trabalhas, eu durmo." - "Enquanto ela dançava, ele bebia." - "Passaram várias ambulâncias, enquanto eu esperava o táxi." - Horrível aquele modismo!
- Mas lembrem-se disto: os verbos das duas orações, nos exemplos acima, devem estar no mesmo tempo: - presente do indicativo (em ambas); pretérito imperfeito, idem; pretérito perfeito, idem.
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b) Falar e dizer - há diferença entre esses dois verbos. - Às vezes, o sujeito fala, fala e não diz nada. Daí o dito: "Falou, falou e nada disse." - Mas, quem diz, dá recado, passa informação etc. - E notem que o verbo falar SEMPRE exige preposição: fala-se de, sobre, contra, perante, para etc. - Enquanto dizer pode ou não pedir preposição: - disse que estava saindo; disse que todos o esperassem; disse tudo sobre aquele assunto; disse cobras e lagartos; João diz muitas coisas acertadas; e quando ele disser que faz, é porque faz. - NOTA: - O pessoal do Sudeste é que só usa falar para tudo: Pedro falou que vai viajar; minha irmã falava que o velho estava doente etc. - Para os paulistanos e paulistas, não existe o verbo dizer.
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c) Antônio foi o melhor colocado (?) - Isso é moda ou é desconhecimento. - Diga sem medo: Antônio foi o MAIS BEM colocado. - Esse MAIS BEM ou MAIS MAL é perfeitamente correto DIANTE DOS PARTICÍPIOS. - Mais bem casados; mais bem informado; mais bem educado, mais mal-acostumado; mais mal-intencionado; mais bem cuidado etc.
d) Bom dia, boa tarde, boa noite, bem vindo, benvindo (?) - Xô! - Esses e muitos outros termos da espécie, tinham o hífen e permaneceram com ele: bom-dia; boa-tarde, boa-noite; bem-vindo etc. - Bemvindo NÃO existe. - E benvido só como nome de família. Os Benvindos Siqueira do Sertão.

Mas por que tantas palavras continuam com o hífen? - Porque são palavras que NÃO se compõem com prefixos, nem com sufixos. São formadas de nomes, adjetivos, numerais, verbos etc.
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e) Outro dia, fui assistir a uma palestra. Um professor muito falante, em 2h30, falou 12 vezes vítima fatal, querendo dizer vítima de morte, pessoa que faleceu. Os repórteres também não se cansam de dizer vítima fatal. Mas o que vem a ser vítima fatal? Pelo que entendo, vítima fatal é a vítima de alguma agressão que mata seu agressor ou um transeunte. - Mas quando essas pessoas falam em vítima fatal estão referindo-se à pessoa que morreu em determinadas circunstâncias, isto é, vítima de morte. - Conheço bala fatal, colisão fatal, trombada fatal, capotagem fatal etc. - Vítima é quem sofre um dano. - E fatal é aquilo que causa dano. - Assim, a vítima fatal, também pode ser vítima de suicídio. - Para evitar mais bobagens na língua portuguesa, diga-se: VÍTIMA DE MORTE. - E só.

O tal palestrante usou o aonde em lugar de onde, umas dez vezes. Em nenhum momento ele empregou onde.
Recomenda-se que, quando houver dúvida quanto ao emprego de aonde ou onde, use ONDE.
E, ainda que o verbo seja de movimento, se vier antecedido de preposição, NÃO cabe aonde. - Exemplo: "Maria Joana pra onde você vai? - Seu Anastácio, de onde o senhor vem?
Mas, aonde vai você? - Aonde você quer chegar? - Sei até onde vou; assim, você não chega a lugar nenhum!
Para coroar, o dito palestrante não sentiu pejo ao usar e abusar do modismo a nível de: a nível de veículo, a nível de passageiro, a nível de condutor. E por aí vai.
Esse "a nível de ..." é um modismo muito besta. - Exemplos: "Lesão a nível de joelho." - Oh, babaca, diga: lesão no joelho. - Os médicos são exímios nessa grande boçalidade. - "A nível de córneas; a nível de globo ocular; a nível de aparelho digestivo etc. etc.
NÃO nesse sentido que aí está. - Mas o que existe é ao nível de e em nível de...
f) - NÃO confundam mandato com mandado. - MANDATO é delegação de poderes. Uma procuração é um mandato. - Quando votamos num pilantra para prefeito ou deputado etc., e ele se elege, demos um mandato ao dito. Tanto pode ser um pilantra, quanto uma pessoa boa.
MANDADO é ordem, encargo, determinação. - Mandado judicial. - Incumbência para cumprir uma missão etc. - Fulano recebeu mandado do patrão pra botar ordem na fazenda e nos arredores.
g) DEMAIS / DE MAIS: - Demais = em demasia; demasiadamente. - De mais (se opõe a de menos).
h) Estamos quite (adjetivo). - Não diga que está quites com ninguém - Quites só no presente do subjuntivo do verbo quitar./.

Abraço,

José Fernandes Costa
Casa Forte Recife
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