" Carlos Sena"





 

CINE REX E CINE BRASILIA

 

 

 

FILME O1 - MEU COLÉGIO CANTA MELHOR.
No dia 21 de junho 1970, pela manhã, promovemos um show no cine Brasília intitulado MEU COLÉGIO CANTA MELHOR. Torcidas organizadas pelos colégios, faixas, prêmios, conjunto musical, vinhetas, jurados, etc., mais parecendo um programa de TV, guardada a devida proporção. Lembro-me que Cecília Cardoso concorreu, dentre outros candidatos, mas o melhor cantor foi do Ginásio São Geraldo, se não me engano, Flávio Pessoa, com a música UM GATO NEL BLUE, sucesso da época na voz de Roberto Carlos. O locutor e apresentador foi o nosso Wilson, filho de Zé de Dinda, ainda hoje militando na área. Mas outro fato marcante daquele dia, à tarde, foi a conquista do Tricampeonato Mundial de futebol pelo Brasil: 4 x 1 na Itália.


FILME 02 – A CIRENE


O artigo de Celina Ferro me remeteu a este “FILME”. Viajei quanto pude no túnel do tempo até que me recordei das belas colunas arquitetônicas cine REX, salvo engano, deu lugar ao atual mercado municipal. Talvez hoje a gente não deixasse demolir, como estamos fazendo com a TAMARINEIRA, aqui no Recife. Mas e a SIRENE? Essa, sim, marcou muito minha relação com Bom Conselho! A gente estava em casa jantando e, de repente, aquele sinal estridente – misto de ambulância com sinal de alerta em tempo de guerra (vi nos filmes). Parece que, daquele toque em diante, restavam-nos 30 minutos para chegarmos ao cinema e assistirmos ao filme. Neste contexto, João Presideu, dono do CINEMA – palco dos meus memoráveis tempos de matinê. Seriados como “Roba Cofe”, etc., não saem do meu imaginário, nem quero, posto que são relíquias de afeto que o tempo não destrói.


FILME 03 – O TELHADO QUE CÁI.


O cine Brasília de, de certa forma, substituiu o REX. Ocupava uma extensão que ia do comércio ao Foto Neto, na Rua 15 de Novembro, onde fica o CERU. Falavam que comportava em torno de oitocentas pessoas, mas talvez quinhentas seja de bom tamanho. Imaginem, portanto, aquele cinema lotado para assistir à NOVIÇA REBELDE, lá pelos idos de 1973. Nessa época eu estava entrando na UNICAP para cursar minha graduação quando, movido pelo desejo de sempre retornar a terra, decidimos passar um feriadão na velha PAPACAÇA, apelido da nossa Bom Conselho. Nessa época, a praça era o nosso ponto de encontro. Tudo acontecia lá, na praça. Ela era um pouco da nossa “internet” artesanal, da nossa “Gazeta” de então, da nossa “Rádio”. Todos os meus amigos do Recife e de Bom Conselho estavam na praça, e agora? Eu tinha marcado, como de costume, para a gente se encontrar lá, e agora? Acontece que eu nunca assistira ao filme “A Noviça Rebelde” e não queria perder aquela oportunidade, mas e o trato que eu fizera com meus amigos? Pensei: vou à praça, faço meu “H”. Depois, irei ao cinema para depois encontrar com a turma. Mas quem disse que me deixaram ir? Mas eu, duro na queda como sempre fui, enfrentei e, NÃO FUI. Pra minha sorte, não fui. Intuição? Não sei, mas a verdade é que o cinema estava lotado e... Tchan, tchan, tchan, tchan! Desaba o telhado do cinema! A gente estava na citada praça e só viu as portas serem derrubadas com muita fúria pelos espectadores atordoados. Todos correram pra lá e o resto já podemos imaginar: alguns foram para a emergência de Garanhuns, outros ficaram no hospital local. Pernas e braços quebrados, torções, sustos, pânicos! Ninguém morreu. Mas eu quase morri de susto e desde aquela noite, não deixei de crer que só se “morre no dia”, ou na noite. Finalmente, até hoje não assisti à Noviça Rebelde. O cinema virou dois em um: uma parte é banco, a outra é também, no mercado da fé.
Usando nosso linguajar, “deu” no Repórter Esso e saiu no Diário de Pernambuco.



"Não há garantia nenhuma. Mas é desejar um compromisso sem nenhuma garantia que faz do AMOR algo ESPECIAL." (George Weinberg)