"CONTOS EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros
 

 

FLORESTA DAS GARÇAS - Por Zé Medeiros

 




Desde o ano anterior, os fenômenos atmosféricos vinham causando estragos na região conhecida como Floresta das Garças, nome dado pela grande quantidade dessas aves. Uma vastas extensão de terra era coberta pelas águas de nascentes que ficavam empossadas formando grande pântano. É bom que se diga, que os pequenos agropecuarista que circundavam essa floresta e variável predadores banqueteavam-se da abundância da caça e pesca.
Uma madeireira instalou-se na região oferecendo pequena participação aos proprietários dessas terras, contanto que permitissem a derrubada das árvores julgadas desnecessárias para o seu aproveitamento. Contrato assinado, todos os meses caia na conta de cada um uma boa quantia. Como todos estavam ganhando bem, não perceberam o desflorestamento da área. Com isso, uma série de fenômenos climáticos estavam acontecendo. Ano após ano a terra ia perdendo o viço, o verdor do mato, a brisa amena que tornava as noites ligeiramente frias, foi dando lugar aos dias mais quentes e as noites menos agradáveis.
As nascentes secavam, a água começava faltar para o gado, a terra perdia a força, a robustez, a falta da chuva deixava de reviçar os campos. A agricultura que dependia da água da chuva, em vários lugares devido a estiagem estorricou a plantação. Muitos açudes estavam secando para desespero dos pecuaristas que dependiam desses, para não perderem seu gado.
Com a derrubada das árvores e a falta da chuva , o solo da Floresta das Garças, passou receber diretamente os raios inclementes do Sol. Toda natureza estava indo para o beleléu, dava pena ver aquele aprazível lugar transformar-se num inferno escaldante.
Os moradores da região começaram sentir os rigores da insânia, da loucura cometida. Muitos culpavam Deus pela seca, Ele poderia ordenar que a chuva descesse sobre aquela terra, esse era o pedido unânime. As promessas aconteciam nas casas religiosas, o comércio jamais vendeu tantas velas, bentinhos e fitas de variadas cores. Nunca se ouviu falar de tantos nomes de santos. Acredita-se ter para mais de dez mil na lista de santos beatificados e canonizados pela igreja católica. Mas, acreditem, a água esperada não caía.
Cavilosamente a madeireira que fazia parte de um grupo de fazendeiros preparava o golpe final. Tudo dependia da astúcia de uma firma previamente contratada com a finalidade de comprar todas as propriedades que estivessem à venda, e incentivar outros venderem com melhores preços.
A artimanha empregada surtiu o efeito desejado, em pouco tempo toda Floresta das Garças foi transformada em grandes pastagens. O que antes havia abundância de caça e pesca e uma flora variada, hoje, olhando para frente vemos um horizonte coberto de capim. Aqui e acolá avista-se árvores frondosas servindo de abrigo para o gado contra a inclemência dos rigores meteorológicos. Fim 19/01/2009