Desde o ano anterior, os fenômenos atmosféricos vinham
causando estragos na região conhecida como Floresta das Garças,
nome dado pela grande quantidade dessas aves. Uma vastas extensão
de terra era coberta pelas águas de nascentes que ficavam empossadas
formando grande pântano. É bom que se diga, que os pequenos
agropecuarista que circundavam essa floresta e variável predadores
banqueteavam-se da abundância da caça e pesca.
Uma madeireira instalou-se na região oferecendo pequena participação
aos proprietários dessas terras, contanto que permitissem a derrubada
das árvores julgadas desnecessárias para o seu aproveitamento.
Contrato assinado, todos os meses caia na conta de cada um uma boa quantia.
Como todos estavam ganhando bem, não perceberam o desflorestamento
da área. Com isso, uma série de fenômenos climáticos
estavam acontecendo. Ano após ano a terra ia perdendo o viço,
o verdor do mato, a brisa amena que tornava as noites ligeiramente frias,
foi dando lugar aos dias mais quentes e as noites menos agradáveis.
As nascentes secavam, a água começava faltar para o gado,
a terra perdia a força, a robustez, a falta da chuva deixava
de reviçar os campos. A agricultura que dependia da água
da chuva, em vários lugares devido a estiagem estorricou a plantação.
Muitos açudes estavam secando para desespero dos pecuaristas
que dependiam desses, para não perderem seu gado.
Com a derrubada das árvores e a falta da chuva , o solo da Floresta
das Garças, passou receber diretamente os raios inclementes do
Sol. Toda natureza estava indo para o beleléu, dava pena ver
aquele aprazível lugar transformar-se num inferno escaldante.
Os moradores da região começaram sentir os rigores da
insânia, da loucura cometida. Muitos culpavam Deus pela seca,
Ele poderia ordenar que a chuva descesse sobre aquela terra, esse era
o pedido unânime. As promessas aconteciam nas casas religiosas,
o comércio jamais vendeu tantas velas, bentinhos e fitas de variadas
cores. Nunca se ouviu falar de tantos nomes de santos. Acredita-se ter
para mais de dez mil na lista de santos beatificados e canonizados pela
igreja católica. Mas, acreditem, a água esperada não
caía.
Cavilosamente a madeireira que fazia parte de um grupo de fazendeiros
preparava o golpe final. Tudo dependia da astúcia de uma firma
previamente contratada com a finalidade de comprar todas as propriedades
que estivessem à venda, e incentivar outros venderem com melhores
preços.
A artimanha empregada surtiu o efeito desejado, em pouco tempo toda
Floresta das Garças foi transformada em grandes pastagens. O
que antes havia abundância de caça e pesca e uma flora
variada, hoje, olhando para frente vemos um horizonte coberto de capim.
Aqui e acolá avista-se árvores frondosas servindo de abrigo
para o gado contra a inclemência dos rigores meteorológicos.
Fim 19/01/2009