"CONTOS EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros
 

 

0 FAZENDEIRO - Por José Tenório de Medeiros

 


A tardinha seu pai voltava do pasto tangendo algumas vacas leiteiras, o rapazote Mauro corria para abrir a porteira de acesso aos dois currais. De um lado ficavam as vacas para ordenha na madrugada seguinte, no outro, ficavam os bezerros, essa tarefa era diária. O dia de trabalho começava pela madrugada com o mungir do gado leiteiro. Era uma empreitada no máximo de três horas de duração, o leite era vendido aos vizinhos para pagamento no fim do mês. Uma parte desse dinheiro era guardado para compra de novilhas com o propósito de aumentar o rebanho.

Nesse estilo de vida Mauro foi crescendo e tomando a frente dos trabalhos da fazenda do pai. Estava apalavrado com um vizinho para comprar sua propriedade "porteira fechada". Com essa compra ficariam em condições privilegiadas como prósperos fazendeiros. Para pai e filho chegarem nessa etapa da vida, muitas camisas ficaram ensopadas de suor com o sol inclemente castigando toda natureza.Parecia ser uma luta inglória; mas, a vontade férrea de vencer não permitia serem malsucedidos, seriam vitoriosos nesse empreendimento.

Com a compra da nova propriedade necessário foi contratar os serviços de peões para lidar com o gado. Tinha que renovar o pasto e fazer abrigos para o gado. Um rio que passava pela fazenda era suficiente para garantir água para o rebanho hoje com quase mil cabeças. Estava começando o inverno, tudo fazia crer ser um ano frio e de muita chuva. Certa manhã Mauro vai ao quarto do pai e o encontra febril, após a visita do médico foi internado com suspeita de pneumonia dupla. A doença evolveu rapidamente e no quinto dia de internação ocorreu o óbito.

Como filho único, órfão de pai e mãe, desconhecia à existência de qualquer parente na redondeza. Assim, reuniu os cinco empregados da fazenda a fim de oferecer-lhes uma pequena porcentagem na venda do leite, para isso teriam que se desdobrarem na execução das tarefas. Esse incentivo concedido chegou em boa hora para os peões, mormente os casados que precisavam se preparar para o rigoroso inverno que chegou sem pedir licença. Com a compra de quatro ordenhadeiras, facilitou em muito a retirada do leite dos úberes das vacas.

Aos trinta anos, pela primeira vez sentiu-se só, até agora sua vida foi na lida do campo tangendo o gado do curral para o pasto e vice-versa. Tinha chegado a hora de escolher uma parceira para compartilhar da sua vida presenteando-o com muitos filhos.
Em alguns momentos de solidão, ia para casa do seu compadre que era o capataz fazer uma horinha de prosa para ir dormir. Rosinha, filha mais nova do capataz sempre ficava por ali rondando o rapaz, gostava do cheiro do Mauro. Aos vinte anos, bonita e sonhadora pensava no jovem para casamento. Carecia um pouco de trato por ajudar a família no cultivo da terra, todos trabalhavam.

Meses depois, Mauro e Rosinha estavam diante do altar da capela da fazenda, recebendo do vigário as bênçãos do Santo Sacramento matrimonial. Fim 10/03/2009.