"CONTOS EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros
 

 

O BRUXO – por José Tenório de Medeiros

 

Essa história quem me passou foi o principal protagonista do acontecido, vou passá-la para vocês como se fosse eu o personagem central do episódio. Muito cuidado com o que vão dizer de mim, não sou o maior mentiroso da paróquia, até posso concordar que digam que sou privilegiado em inventar as coisas, mas, mentiroso é muito forte.

Muitos anos atrás, na pequena cidade de Maribondo, moravam uma família de roceiros que na região eram tidos como bruxos. Ao que pude saber, visto conhecer um pouco a redondeza e contar com alguns amigos, o mais era falação do pessoal que não gostava da família. Entretanto, em tempo de Lua Nova, aconteciam coisas de arrepiar os cabelos.

Convidei alguns amigos para, na mudança da lua, ficar atentos aos fenômenos para que tudo se esclarecesse. Os dias foram se passando sem novidade aparente. Propositalmente estive rondando o pequeno sítio com o intuito de curiosamente saber, em outras luas, o que se passava de tão tétrico com aquela família humilde que, entre eles, parecia haver uma sólida união.

Certa vez, numa dessas minhas caminhadas, cruzei com o chefe do clã, nos cumprimentamos e seguimos nossos caminhos, mais adiante olhei para trás o tal senhor estava parado olhando para mim. Acenei com a mão e segui em frente. Na volta fiquei parado por longo tempo debaixo de uma árvore frondosa na beira da estrada. Ouvi um psiu, voltei-me, um rapaz vinha na minha direção, ao aproximar-se falou que o pai gostaria de falar comigo em sua casa, respondi que só no dia seguinte.

Não quis mostrar-me ansioso pelo encontro, dois dias depois, pela manhã, fui a sua casa. Esperei um pouco, foram chamá-lo estava com uns empregados trabalhando na roça. Ao chegar cumprimentou-me com efusão, a primeira vista demonstrou ser uma pessoa de bons princípios. Entabulamos uma conversa mais ligada a terra, como plantar e colher na época certa e o período de chuva na região. Como pouco entendo de plantação, colheita o período da chuva na região fiquei apenas ouvindo seu prosear.

Em dado momento falou: - convidei o senhor para vir até minha casa, com o propósito de tirar suas dúvidas sobre nossa família. Sei que o pessoal vive especulando minha vida. De uns dias para cá o senhor tem rondado nosso sítio, com o propósito, talvez, de saber o que acontece nas noites de Lua Cheia. Ora, senhor, sou o Dr. Osório formado pela Universidade de Oxford, com especialização em medicina genética. Por motivo de saúde da minha esposa, vim parar nesse rincão a fim de tirar dessa flora maravilhosa uma vacina que possa aliviar suas dores. Coincidentemente, caiu nessa lua o processo de preparo dessa droga. Convido-o, extensivo aos seus amigos, para no próximo dia oito assistirem, a partir das dezoito horas, o processo de extração do material necessário para o preparo da droga.

O processo era complicado, com as misturas das ervas saia muita fumaça, o odor forte era proveniente do enxofre, o ar ficava saturado dando um aspecto de bruxaria. Acho irrelevante dizer que a platéia estava repleta de curiosos. Depois de tudo esclarecido a família do Dr. Osório passou fazer parte da sociedade local. Maricá, 03/04/2009.