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"CONTOS
EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros |
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BURACO FUNDO DO NEM - Por José Tenório de Medeiros
Ao anoitecer Roger ia chegando do trabalho, ainda um pouco distante de casa na curva que antecedia o Buraco Fundo do Nem lugar meio esquisito, comentam que é por ali o caminho mais perto do inferno. Acontece que só tinha aquela estrada para o jovem chegar a casa. De soslaio vê alguém todo de preto ficar ao seu lado, dá boa-noite e segue em frente. Fica um pouco espantado, por mais que tentasse alcançá-lo a distância era sempre a mesma e não conseguia ver o rosto da pessoa. O mesmo calafrio que sentia quando estava só em casa, pelas barbas do profeta, estava sentindo no momento.
Não estava nada satisfeito diante daquela situação incomoda. Com o coração batendo descompassado, quase correndo chega a casa, olha para os lados não ver a tal alma do outro mundo. Mais apavorado estar, chama pela mãe, ninguém responde, torna a chamá-la, silêncio profundo. Roger fica estático nomeio da sala, perde a noção de onde fica o interruptor, naquela escuridão treme nas bases, nisso ouve um sorriso e seu nome é chamado, com um grito de pavor desmaia no meio da sala.
Ao voltar do desfalecimento vê a casa cheia de gente curiosa para saber o que tinha acontecido. Roger pede para que se retirem, estava bastante nervoso diante do ocorrido. Somente para sua mãe contou o sucedido, estava humilhado com a demonstração de covardia, ouviu o sorriso e a voz da mãe chamando-o, mas os nervos tensos o traíram.
No dia seguinte (sábado) Da. Matilde (mãe) não tinha expediente na repartição, chamou o filho, também não foi trabalhar, conta a seguinte história: “os moradores mais antigos contavam que na época dos conflitos, dois irmãos traficantes e rivais chefiavam parte do Morro da Mangueira Torta. A guerra travada tinha como motivo a disputa dos irmãos pela venda do tóxico, foi uma disputa acirrada com muitas mortes de cada lado. Uma luta que durou muitos anos, ao ponto das pessoas que moravam num dos lados do morro não poderiam visitar parentes e amigos da localidade oposta.”
As crônicas policiais diariamente estampavam em seus jornais essa peleja dos irmãos pelo tráfico, não só de drogas, como de armas sofisticadas, competindo em poderio com a polícia com suas armas obsoletas. Esses jornais comentavam do próprio envolvimento de policiais com o mundo sujo da traficância.
Certa manhã, a imprensa falada escrita e televisada noticiara que um dos irmãos, o Nem, fora encontrado morto num grotão perto da entrada do morro, daí ficar conhecido como o Buraco Fundo do Nem. Diziam que esse bandido era o mais perigoso e sanguinário dos irmãos.
Comenta-se que ele vem procurando o irmão Beto para um desforço. Também não sabe que o irmão fora despachado para o inferno, pelo visto ainda não se encontraram no abismo.
Conhecedor do caso, Roger convence Da. Matilde vender a casa, e comprar outra bem longe Dalí. Maricá, 10/04/2009.
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