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"CONTOS
EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros |
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A OUTRA – por José Tenório de Medeiros
Sabia pela boca do povo das canalhices praticadas pela sua namorada, não levava a sério às cachorradas da Michelle, acreditava de antemão, ser um namoro só para tirar vantagens do belo corpo da jovem magana. Estavam namorando fazia no máximo 30 dias. Roberto um tanto ou quanto debochado conhecia os menores detalhes do corpo da moça. O que mais gostava de ver era aquele par de coxas alvinhas e veludíneas. Aliás, quando iam à praia não faltavam olhos cobiçosos, ela gostava de provocar olhares das pessoas com posições que despertavam emoções ou desejos.
De uns tempos para cá Roberto não se sentia bem com as peraltices da namorada, lá bem no âmago do seu coração, passou a sentir um pouquinho de ciúme. Isso não era bom sinal, achava se continuasse vendo a jovem com tanto entusiasmo ia terminar nos pés do padre. Tinha que dar um jeito de cair fora dessa armadilha que o seu coração estava aprontando. Tinha certeza que o coração quando trama uma cilada o nó é bem dado.
A primeira providência do mancebo foi rarear suas idas à praia, em seguida desfilar menos com a jovem nos bailes sociais. Isso foi um bom começo para Roberto supor ser fácil livrar-se da namorada. Não esperava a insistência importuna de Michelle procurando-o em todos os lugares, usando até palavreados chulos de porta de botequim. Era uma jovem de abastada família, mas temperamental, tinha o gênio arrebatado e irascível. Essas reações emocionais da jovem foram guardadas por ela na barra da saia, também, com o gênio sínico que tinha Roberto jamais se preocupou com essas coisas, queria mais era beijar na boca.
A situação estava ficando fora de controle, Roberto achou por bem tomar duas providências – mudar de emprego e morar em outro bairro, medidas necessárias para retomar a tranqüilidade perdida. Estava aguardando o resultado final do exame clínico para ingressar numa multinacional e poder por em prática suas idéias. Em menos de dois meses todos os problemas em torno de Michelle ficaram resolvidos.
Um ano depois desses acontecimentos, Roberto estava na fila do elevador e se encontra com uma prima de Michelle que trabalha na mesma empresa. Após os cumprimentos de praxe veio à tona o nome da jovem. Ficou sabendo que ela estava na Europa morando com uma jovem homossexual, cujos encontros secretos se davam mesmo antes deles namorarem. Conversa prá lá conversa prá cá, Roberto convida-a para no término do expediente ir assistir o recital de jovens estudantes vindos de uma cidade próxima, depois iriam jantar, sugestão aceita pela jovem.
Nasce uma bela amizade entre ambos. Rosália, conhecida no meio amigo como Lia era, talvez, mais bonita que sua prima. Outros encontros vieram para fortalecer ainda mais esse relacionamento. Certa tarde de domingo ao saírem do cinema, Roberto cinge com o braço a cintura de Lia, ela ao virar o rosto recebe um beijo do rapaz, aconchega-se ao ombro do jovem com um lindo sorriso presenteando-o com outro beijo, selando assim um pacto de amor. Dalí ao noivado e casamento foi uma questão de tempo. Maricá, 07.05.2009.
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