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"CONTOS
EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros |
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O EXAME DE DNA – por José Tenório de Medeiros
Naquele ano próximo ao mês das bruxas em cidades distintas, nasceram duas crianças. Ela de pele clarinha, de uma beleza infantil nunca vista. Ele de tez menos clara, sem uma intervenção da natureza ou da medicina parecia ser, para o futuro uma pessoa feia. Vamos deixar o tempo resolver a questão da beleza, feio ou bonito são detalhes que ás vezes passa despercebido ao coração entusiasmado pela paixão.
O vento corria indolente, parecia não ter pressa para mover da parede a velha folhinha a fim de o tempo desabalar-se em direção dos acontecimentos. Tudo estava no compasso de espera, com certeza Deus nos dar um tempo para que cada coisa possa manifestar-se na hora conveniente.
O pai de Maurício trabalhava como engenheiro numa multinacional, fora transferido a fim de assumir um vantajoso cargo de chefia. Como era considerado um profissional apto para exercer outras incumbências, foi ficando por lá até chegar o período de aposentar-se. Só então voltou para a administração central de onde havia saído.
O jovem Maurício de regresso à sua terra, contava a idade terrena de dezoito (18) anos. Estava se preparando para enfrentar o primeiro dia de aula na Faculdade de Engenharia. Desde o amanhecer sua casa viveu muitas horas de alegria esperando-o. Ao voltar á tardinha trazia uma novidade. Conhecera uma jovem na sala de aula que tocou o seu coração, parecia ter havido uma empatia de sentimentos que poderia rolar algo mais sério. Nos dias subseqüentes estavam sempre juntos.
O amor é um sentimento que transmite paz, ternura, bem-querer, carinho e dedicação. Caminhando-se pela estrada do amor, o esperado é chegar-se aos pés do Eterno pelo sagrado sacramento do matrimônio. Parece que algo sobrenatural empurrava o jovem casal para se aproximarem cada vez mais. Notava-se que o jovem Maurício mantinha uma postura muito protetora, assemelhava-se ao cão policial tomando conta do dono. São atitudes ciumentas que demonstram falta de confiança no parceiro. Isso é meio caminho andado para se desfazer qualquer união assente, jamais foi prova de amor.
Numa viagem para uma cidade do interior, o pai de Maurício relacionou-se com uma jovem de programas, tempos depois ela apareceu grávida, como foi um encontro fortuito, e no dia seguinte ele deixou a cidade, ficou tudo por conta de deixa prá lá. A pobre moça veio a falecer após a délivrance. A filhinha foi batizada com o nome de Suely, criada pelo avô com muito carinho dentro dos padrões da classe média. Ao concluir o vestibular, matriculou-se e diplomou-se na mesma Universidade aonde Maurício recebera seu diploma.
Dois anos depois resolveram noivar e abreviar o casamento. Para isso foram fazer o exame pré-nupcial com um check-up total para verificação de compatibilidade do sangue. O exame de DNA acusou serem irmãos. Maricá, 11.06.2009.
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