"CONTOS EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros
 

 

O JOVEM ENGENHEIRO– por José Tenório de Medeiros

 

 

Ao tocar o telefone Itamar sai correndo para atendê-lo, ao aproximar-se do Graham Bell (inventor do telefone) pára de tilintar. Estava esperando uma ligação internacional, talvez resolvesse seu problema de mais um desempregado no País. Ficou meio desapontado, e se fosse a tal ligação que desde a manhã esperava? Aquela dúvida permaneceu até o telefone tocar novamente.

- Alô, quem fala é Itamar.

- Itamar, aqui é Josias das Fábricas d’Argolo, favor comparecer amanhã às 10 horas, para uma entrevista com o Diretor Administrativo...

Foi uma espera de mais de um mês, era uma fábrica de componentes eletrônicos que precisava de um engenheiro eletricista para chefiar a divisão da unidade de energia nuclear.


É bom que se diga Itamar sempre foi o primeiro aluno da classe em todo curso de engenharia. Esses alunos ao término do curso eram indicados para as grandes empresas que os contratavam. As Universidades com isso, através da imprensa, adquiriam mais prestígio.

Era bom para o formando, já deixava a faculdade com emprego garantido, muitas vezes com ótimos salários. Foi o caso do jovem engenheiro, após a entrevista foi contratado seguiu para um estágio de 180 dias na sede da fábrica na Espanha.

Ao regressar do estágio, Itamar assume a chefia da divisão. Naturalmente que o jovem engenheiro deu uma feição moderna, conforme fôra orientado pelo Departamento de Engenharia da fábrica para a qual estava subordinado.

Como um rapaz inteligente, procurava atualizar-se fazendo cursos de aperfeiçoamento na matriz. Estava sempre a par dos últimos acontecimentos científicos e empíricos da sua profissão.

Com certeza tornara-se conhecido e respeitado nesse mister. Sempre era convidado a participar das conferências ligadas a engenharia nuclear. Por morte do titular fôra convidado a assumir o Departamento Geral de Engenharia da fábrica.

Aos 40 anos Itamar continuava no celibato, dado sua nova função fora orientado arranjar uma esposa, isso o contrariou um pouco, sempre deu prioridade ao trabalho e estudo. Mas, gostava de sua nova função, dar ordens era melhor que recebê-las, o salário também fazia a diferença.

Num certo Domingo Itamar estava fazendo sua caminhada matinal, cruza com uma jovem muita bonita. Não era a primeira vez que se encontravam, cumprimentaram-se como duas pessoas educadas, estavam caminhando em sentido oposto, na volta ao se aproximarem...

- Senhorita, achei esta rosa no jardim, é semelhante a sua beleza, aceite-a com um convite para o almoço de hoje, comemorativo de uma amizade que se inicia. Se aceitar às13 horas espero-a no hall do edifício que mora, meu nome é Itamar.

- Ah! Agradecida pela rosa vermelha, é muito bonita mesmo. Meu nome é Emanuelle, aceito o convite, já nos vimos em outras ocasiões, moramos na mesma rua.

Dois anos depois desse acontecimento entraram na Matriz da Sagrada Família, Emanuelle e Itamar, unem-se pelo Sacramento do Matrimônio, com direito a lua de mel em Paris/França. Maricá, 24.11.2009.