VOZES ÍNTIMAS
- de José Tenório de Medeiros
0´, quem ouve minha voz plangente,
sacudindo, convulso, o corpo alquebrado,
por anos e anos de luta ingente,
sob o comando de um cérebro retardado.
Lamento a malvadez do peregrino pensamento,
busco recordar o passado distante...
nas brumas traçoeiras do perverso esquecimento,
imposto pelo destino - o arteiro tratante!
Insondável busca na atroz caverna,
o encéfalo vazio sem poder meditar,
no percuciente pernosticismo da natureza eterna,
subjugada a mão férrea, a tudo rubricar.
Declino o direito de ser viandante,
de vidas que se cruzam do sangue contaminado,
recorro ao subjetivismo, mais adiante,
sair dessa dinamia que prende ao passado.
A procela que invade minh'alma,
impelindo-me contra o intelecto,
tirando do pensamento a calma,
o direito de um ser circunspecto.
O revérbero que emana do Criador,
vem célere ao encontro, nessa lida,
iluminando com todo resplendor,
a substância transitória dessa vida.
Fim