"CONTOS EM PRELÚDIO" - José Tenório de Medeiros
 

 

 

ATÉ O SUSSURRO DO VENTO... - por José Tenório de Medeiros


Fausto precisava colocar seus pensamentos em ordem, para fazer isso teria de escolher um lugar calmo, que lhe desse condições de muita paz, fosse na realidade um lugar muito tranquilo, se possível, até o sussurro do vento não poderia perturbar essa serenidade. Por isso escolheu aquele recanto aprazível que descortinava ao longe o Rio Urucuia, cujas águas deságuam no Rio São Francisco.
Uma enorme pedra servia de repouso para seu corpo, enquanto isso sua mente ficava naquela inação do espírito vagueando por mundos ocasionais, peregrinando por longínquas terra. Já tardinha, o Sol se escondendo no poente o jovem estava com os problemas assentes.
Como soe acontecer aos desligados da vida, Fausto procurava os lugares de solitude a fim de curtir sua fértil imaginação. Mais das vezes deitava-se numa rede no alpendre de sua casa, fixava um ponto no horizonte para melhor ruminar seus pensamentos estrambóticos, cheios de excêntricos desejos. No momento viajava sem destino no sidério espaço. Outras vezes via-se nas profundezas dos mares em busca de tesouros incalculáveis. Era um estado psicológico momentâneo, isso acontecia em ocasiões incomuns, quando sua alma se voltava para um exame íntimo de consciência.
Fausto estava frequentando certos lugares promíscuos, sua reputação no social estava abalada. O crepúsculo matutino precedia o nascer do Sol, o jovem tresloucado acabava de chegar em casa vindo das gafieiras das cercanias. Com o passar do tempo viu-se só, os amigos aos poucos foram rareando, deixou de receber convites para as festas sociais. Ficou indignado com a atitude dos amigos, afinal a saúde era sua, e só lhe dizia respeito.
Com alguns meses de vida desregrada, o jovem começa sentir-se cansado, com uma tosse intermitente que o fez ir ao médico. Após toda bateria de exames concluídos, o médico aconselha-o ir para uma clínica de repouso numa cidade serrana, sua doença era grave e contagiosa.
Voltemos ao início da história...
Após sair daquela inércia deitado sobre a pedra, foi para casa preparar-se para acatar a recomendação do médico. Ficaria um bom tempo fora de circulação na sua fazenda com o acompanhamento de um clínico. Fazia mais de dois anos que estava nesse isolamento, não recebia visitas de parentes e amigos, ainda se sentia traído.
Numa manhã de domingo, acabava de tomar o desjejum, ouviu uma algazarra e queima de fogos no terreiro frente à sua casa. Eram pessoas do seu conhecimento que faziam parte de um Centro Espírita, vieram visitá-lo e fazerem um culto em agradecimento ao Senhor Jesus pelo restabelecimento da sua saúde. Fim