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O
livro da escritora Celina Ferro, intitulado “DE CAPACAÇA
A BOM CONSELHO”, fez-me voar, em pensamento, e pousar exatamente
na Rua do Caboge, 120 onde nasci na década de 1940.
Mil e uma lembranças afloraram em minha mente, das pessoas e fatos
que marcaram suas presenças em minha infância, tudo isto
veio à tona com a leitura da obra de Celina.
Em uma retrospectiva muito bem elaborada, a escritora Celina Ferro nos
faz voltar aos tempos idos e vividos, e começo há recordar
estes tempos. Foi o tempo da Semana Santa, quando todos os fiéis,
comandado pelo inesquecível Padre Alfredo Pinto Damaso percorria
as ruas da cidade, todas galhardamente enfeitadas, nas procissões
dos Passos, Enfermos, Senhor Morto, tudo com a maior penitência
e devoção, do Lava Pés na Matriz, da Via Sacra ate
a Serra de Santa Terezinha, o tempo, do Natal que se comemorava a festa
da Sagrada Família, com novenas fervorosas e muitas festividades
no “quadro” em frente da Matriz se estendendo por algumas
ruas com instalações de brinquedos, barracas de jogos e
comidas típicas. A festa de São Sebastião, onde íamos
assistir as novenas, passeando pelo “corredor”, descendo a
ladeira onde ficava o Cine Rex, a Usina que gerava energia para a cidade,
tudo isto era festa para nós, a festa de Santo Antônio, onde
descíamos pela Rua da águas Belas, com paradas obrigatória
em várias casas de parentes que ali residia para tomar a benção
e seguir para assistir a procissão, o tempo do carnaval, onde desfilei,
depois de muito choro, no bloco Amigo da Onça, percorrendo várias
ruas com confetes e serpentinas, a tomar Coca Cola em cada casa que o
bloco parava. O bloco do Paga Nada era o que mais admirava e ficava eufórico
quando o mesmo desfilava pelas ruas da cidade. Neste tempo, pela manhã
havia o “entrudo” brincadeira que consistia em molhar as pessoas
que transitava naquele horário pelas ruas e nós crianças
tínhamos medo de ser molhado e ficávamos a espreitar pelas
frestas das janelas os blocos passar. Muitas vezes éramos surpreendidos
quando abríamos à janela e ra. jogado uma lata de água
em nossa cara.
Tempos dos primeiros passos para escola, a primeira mestra, minha mãe,
Nedi Taveira Belo, que ensinava as primeiras letras aos alunos que freqüentava
a sua escola no Corredor. Zélia Vieira Belo, a primeira professora
no Grupo Mestre Laurindo Seabra, da Diretora deste educandário
Ivonete Miranda, dos primeiros professores no Ginásio São
Geraldo, Prof. Cirilo, no seu impecável terno branco, do Diretor
Valdemar Santana, homem integro e de respeito inabalável e tantos
outros que nos fogem a memória. Tempos do Cinema Rex, onde assistíamos
as matinês, soirê, e se empolgava com os filmes estrelados
por Roy Rogers, Tom Mix, Zorro e Tonto, Rock Lane, seriados como A Deusa
de Joba, Capitão Marvel.
Pois é Celina Ferro, você conseguiu através do seu
precioso livro nos levar a nossa querida Bom Conselho antiga e atual,
não contrariando um velho adágio popular que diz “recorda
é viver duas vezes” e isto você nos proporciona.
José
Antonio Taveira Belo / Zetinho
E-mail - taveirabelo@hotmail.com
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