| Tenho uma grande
admiração ao primo Abel, pela sua maneira ser pela sua índole
de um grande amigo. Filho do meu tio Expedido, homem de grande valor em
Bom Conselho, de acordo com o que foi comentado, um grande seresteiro,
exímio tocador de violão, que fazia serenatas pelas ruas
de Bom Conselho, acordando com o som do violão a mocinhas apaixonadas,
O tio Expedito tinha a lua como a sua namorada e as estrelas cintilando
no firmamento acinzentado da noite, como testemunha, que lhe acompanhava
nestas suas empreitadas de seresta acompanhado de seresteiros e de vários
amigos boêmios da época. Cantava ou cantavam musicas de Anízio
Silva, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Francisco Alves, Nelson Gonçalves,
Silvio Caldas, Emilinha Borba, Isaurinha Garcia, Núbia Laifaete,
Francisco Petrônio, Caubi Peixoto e tantos outros astros da musica.
As ruas e ladeiras de Bom Conselho eram visitadas por estes seresteiros,
que já eram esperados pelas pessoas, com a voz bonita e melodiosa.
Aos pouco, penso eu, que o Abel se familiarizou com estes momentos de
alegrias dos notívagos da nossa cidade.
Abel foi um pouco de tudo. Trabalhador na loja do seu Pai Expedito, aos
sábados, quando lá tinha um umas pessoas que tocavam sanfona,
triangula e zabumba, para chamar a freguesia, a maioria os matutos oriundos
dos sítios, mas ao mesmo tempo, gostava de montar a cavalo, e participar
das cavalhadas e vaquejadas que por ali apareciam sendo em Bom Conselho
ou em algum distrito ali perto. Lá estava Abel montado no seu cavalo
alazão de nome “Pernambuco” belo e fogoso. Abel desfilava
na cidade garbosamente, atraindo para si olhares das mocinhas enamoradas.
Era um cavalo de estirpe, os seus arreios eram de primeira linha, brilhava
a luz do sol, a vestimenta de vaqueiro, chapéu de couro, blusa
listrada e calça de azulão e botas até ao meio da
canela com as espora tilintando e brilhando. A sela era linda e harmoniosa,
o coxim branco como a neve, e o “Pernambuco” se orgulhava
do montador cavaleiro quando passeava pelas ruas em seu trote cadenciado.
O Abel tinha um grande companheiro que o acompanhava nestas maratonas,
se não me engano o Abílio Alapenha, com o seu cavalo negro
de porte maravilhoso que disputava de pé de igualdade as competições
que apareciam.
Lá no Distrito de Rainha Isabel, onde morava a Tia Inacia irmã
do tio Expedito, por uma ocasião de uma cavalhada, e eu presenciei,
o Abel e o Abílio Alapenha disputando com o demais competidores,
na rua principal do Distrito, o titulo de campeão da cavalhada.
Os cavalheiros e seus cavalos estavam impecavelmente com as suas vestimentas
e arreios nas tardes do sábado e domingo dominando assim o ambiente
festivo.
No primeiro dia houve o pastoril e a venda de bilhetes para eleição
da rainha da cavalhada, era realizada por moças da sociedade que
saiam à rua abordando todas as pessoas na compra dos votos, uns
preferiram votar no cordão azul outros no cordão vermelho.
O palanque armado em frente à Igreja Santa Isabel era o palco onde
as meninas demonstravam as suas habilidades no compasso do ganzá
e zabumba e triangulo, dançando e cantando. Os vestidos das moças
eram de sedas azuis e vermelhas
O Abel se não me engano era do cordão Azul. À noite
em frente da Igreja de Santa Izabel da Hungria, com o palco armando e
as pessoas torcendo pelas suas cores favoritas. A minha foi o Azul, como
tenho até hoje uma predileção por esta cor.
Realmente não sei quem ganhou, mas o pastoril foi animadíssimo
nesta noite, onde todos sentados aplaudiam as pastoras no palco.
Ao termino todos se dirigiam para as suas casas, e os vaqueiros se reuniam
nos botecos ou nos balcões das mercearias e, ali bebiam ao som
do aboio e das emboladas que cada um cantador ensaiava, arrancando aplausos
e risos estrondosos dos presentes.
E assim a competição terminava com os campeões exibindo
os seus troféus e, saindo de sena para aguardar nova competição
e, assim vivenciar a cavalhada em outros lugares.
José Antonio Taveira Belo / Zetinho
Olinda /PE
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Belo / Zetinho E-mail taveirabelo@hotmail.com
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