| Na
década de 40 apareceu em Bom Conselho, um homem de meia idade,
de baixa estatura, cabelos louros encaracolados barba espessa cobrindo-lhe
toda a face, olhos azuis, caolho, nariz adunco, lábios grossos
com dentes amarelados faltando-lhe alguns na boca quando se deixava rir,
pernas tortas apresentando sinais de loucura. Não fazia mal a ninguém,
mas, metia medo na meninada de época pela sua feiúra parecendo
o “Corcunda de Notre Dame”.
Vagava pelas ruas de Bom Conselho de um lado para outro, percorria desde
a Rua do Caborge, dos Correntões ao Alto do Colégio, Ato
de Santo Antonio, seguia para Alto de Zé Frexeiras, saindo no Corredor
indo diretamente para os degraus da Matriz da Sagrada Família,
onde ali fazia o repouso.
Dizia meu pai Antonio Zuza, que esta personagem apareceu sem que ninguém
soubesse da sua origem. Deu-lhe um nome de “birigui”, o que
ele achava graça quando o chamava desta forma.
Nas suas andanças pela cidade apregoava em brados, uma certeza
que muita gente ignora em nossos até em nossos dias, a seguinte
frase: o arrependimento é o derradeiro que chega, parava e ria
e, gritava de novo em voz alta e estridente “o arrependimento é
o derradeiro que chega”.... “O arrependimento é o derradeiro
que chega”...”.
Ria, dava pulos fazia piruetas na rua levantava os olhos e os braços
para o céu como pedindo perdão a Deus. As pessoas já
estavam acostumadas com estes brados que ecoava no silencio da rua se
fazendo ser ouvido por todos. Ninguém lhe dava importância.
Era bem quisto. As famílias lhe davam comida, agasalhos. Dormia
ao léu, nos bancos da praça ou na porta da Matriz da Sagrada
Família, ou no Correto na Praça João Pessoa. Era
assim a sua vida.
Pouco a pouco as pessoas iam se acostumando com aquela personagem na cidade
que fazia rir todos que o visse.
Passou-se tempo o “birigui” desapareceu da cidade misteriosamente
como apareceu, ninguém viu a sua saída, procurou pelos arredores
da cidade de Bom Conselho e, ninguém mais teve noticias desta personagem
que apregoava uma verdade verdadeira “o arrependimento é
o derradeiro que chega” e, ficou somente esta lembrança com
o povo bomconselhense.
José
Antonio Taveira Belo / Zetinho
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