BOM CONSELHO DO MEU TEMPO

 

A meninice vivida em Bom Conselho, correndo ao redor da Matriz da Sagrada Família, das brincadeiras nas Praças Pedro II e Livio Machado são recordações memoráveis.
Sinto saudades desse passado. Gosto de recordar estes momentos felizes e, as vezes até infelizes. Não se vive somente a alegria, é necessário também sentir a dor para sentir-se gente.
Recordo na minha infância em Bom Conselho, na década de 50, dos homens importantes, ao meu ver de criança, que marcaram presença na sociedade bom-conselhense. Foram pessoas que doaram um pouco de si em benefícios da população, com trabalhos despojados de vaidades. São mitos. Foram heróis. E, estes nomes não se apagam da memória . Foram figuras notáveis.
Vários, estiveram presentes neste tempo em que vivi em Bom Conselho, Padre Alfredo Pinto Damaso, Vigário da Paróquia da Sagrada Família, com o seu olhar severo nas suas celebrações dominicais, em latim, na Matriz, nas manhãs dos domingos; a sua presença nas procissões, pelas ruas e no recolhimento da casa paroquial, descansando em sua rede, sob os cuidados de dona Julia;
Coronel José Abílio Ávila, (Coronel Zezé) figura imponente, em seu bangalô, vestindo branco e com o seu inseparável Ray Ban, na rede, cercado pelos correligionários, observando tudo que se passava ao seu redor. Tinha medo de me aproximar do bangalô. Ficava a distância a espreitar aquele movimento, sentado nos degraus da Matriz;
Tenente Caçula, sentado nas manhãs ensolaradas no terraço do bangalô de Luizinha Correntão. Daquele ponto observa toda extensão da Praça Livio Machado, o movimento das pessoas que entrava e sai das lojas. Figura magra, com óculos brancos em grau elevado, de terno e gravata e com seu guarda chuva ao lado fazendo-lhe companhia. Era uma figura que imprimia respeito nas crianças;
Dr. José de França, médico afamado, atendia um grande numero de pacientes, em seu consultório. Vez por outra, lá estava ele me auscultando e despachando um receituário para aquisição dos remédios nas farmácias do Sr. Luiz Crespo ou de Sr. José Lourenço. Esmerava-se no vestir. Sempre de terno branco e gravata preta, Desfilava pela rua com seus óculos escuros, modelo Ray ban levando consigo a maleta com os instrumentos médicos;
Dr. Raul Camboim, médico de igual fama, morando na Rua das Águas Belas, em uma bela casa, que até hoje conserva a fidelidade da época. Muitos pacientes, na maioria pessoas carentes, faziam filas para o atendimento médico em seu consultório. Vi, muitas vezes, conversando no “quadro” com populares. Vestia-se simplesmente. Um grande médico.
Gabriel Vieira Belo, fiel escudeiro das festas religiosas, realizadas na cidade. Sempre organizando as belíssimas procissões do padroeiro, a Sagrada Família, do Senhor Morto, na semana Santa entre tantas outras. Animava as celebrações tocando a “serafina” no coro da Igreja. Tocava brilhantemente este instrumento. Trabalhava na loja, do seu irmão Antonio Vieira Belo, sempre atendendo de maneira amável os clientes, com a fita métrica pendurada no pescoço, e as calças presas ao suspensório;
Expedito Vieira Belo, com a sua loja de tecidos, ostentando cavaletes com peças de tecidos de todas as cores. Ajudei-o nos trabalhos da loja, varrendo. Aos sábados um trio musical, atraia os fregueses ao som da sanfona, triangulo e zabumba.
Outras pessoas, como João Presideu proprietário do Cinema Rex, Luiz Crespo, dono de Farmácia, que hoje é administrada pelo seu filho Ivan Crespo; Gervasio Vieira Pires, Deputado Estadual, ferrenho adversário político do Coronel Zezé. Zé de Poluca, com a sua orquestra animando o carnaval pelas ruas da cidade, permanece ainda hoje em minha memória. São recordações infantis, meramente infantis.

José Antonio Taveira Belo / Zetinho
E-mail - taveirabelo@hotmail.com

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