- CARNAVAL DO PASSADO
 

Estive visitando o nosso site de Bom Conselho, e na coluna “Mural de Recados” deparei-me com o seu apelo solicitando informações da festa do “carnaval” em minha querida terrinha, no passado, não muito distante haja vista que estava realizando uma monografia sobre o carnaval dos anos 70.
Infelizmente, nesta época vivia na cidade do Recife e os carnavais que participava era no salão do glorioso SPORT CLUBE DO RECIFE e nas ruas da cidade, principalmente, no Bar Savoy em plena Avenida Guararapes. Informo que muito me interessa este seu interesse de realizar este intento, infelizmente, não tenho muita coisa sobre o carnaval de Bom Conselho, apenas que participei alguns carnavais, quando criança, desfilando no bloco “Amigo da Onça”, bloco este formado pelas crianças, que tinha o símbolo no seu estandarte a figura do “Amigo da Onça” charge que vinha como destaque na Revista o “O Cruzeiro” que circulava na época de 1950. O bloco desfilava no domingo à tarde e saia da Rua do Caborge, se não me engano, e descia e passava pela Praça Livio Machado, circulando a Praça Pedro II e descia pela Rua sete de Setembro até o Centro Lítero Cultural, sob os acordes de uma banda com toque leve e cadenciado comandada pelo Zé de Puluca, onde as crianças pulavam de alegria em fila indiana todos vestidos de “branco” visitando algumas residências, a qual oferecia a criançada copos com “Coca Cola”, bolos e biscoitos “sortidos” que era na época a coqueluche. A apoteose se dava com a chegada ao Centro Lítero onde as crianças subiam as pressas à escadaria para pular no salão do primeiro andar até as dezoito horas. Eram momentos de alegria com as crianças jogando “confetes “ e jogava as “serpentinas” para o alto atravessando toda extensão do salão, inundando toda área com aquelas fitas nas cores “rosa”, “verde”, “amarelo queimado” “Azul”, e as bolinhas dos “confetes” de variadas cores inundando o piso de “madeira corrida” preta e marrom, brilhando pela cera de “carnaúba” aplicada e logo depois de esfregada com um pano seco para brilhar e juntando-se em nossos cabelos e pregando-se em nossos rostos suados aquelas “bolinhas” de todas a cores. Era uma brincadeira sadia e alegre. Os pais se deliciavam em ver seus filhos “pequenos” naquela alegria sem fim. Riam-se, remexiam-se acompanhando o som da orquestra de Zé de Poluca pelas ruas e no salão. Saímos do Centro Lítero suados diretamente para casa para tomar banho e descansar da folia. Muitas vezes neste regresso víamos alguns blocos desfilando no final da tarde com as suas fantasias amarelo-ouro misturado com um marrom cintilando as lantejoulas pregadas nas roupas e casacos curtos. Pelo cabelo das moças descia alguns cordões dourados e prateados, o rosto suado coberto com “areia prateada” e os homens com calça meia-perna traçavam um frevo rasgado pinoteando de um lado para o outro. O estandarte a frente do bloco conduzido por um homem e às vezes por uma mulher, estampava no seu bojo o nome da agremiação, muitas das vezes com figuras decorativas, em cores vermelha, rosa, azul e verde rodeado por um galão dourado, acompanhado por centenas de pessoas pulando de alegria ao som do frevo. Outros ficavam ao meio fio da rua esperando passar. Gostava do bloco Paga Nada. Não sei por quê? E, assim ficávamos a delirar de alegria do folguedo que acabávamos de ver. Íamos para casa contente esperando pelo carnaval do ano próximo... Certamente.

José Antonio Taveira Belo / Zetinho
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