ACADEMIA BOMCONSELHENSE DE LETRAS - IV


Mais uma vez volto a suscitar a criação da Academia Bomconselhense de Letras – ABCL. Este assunto já está se tornando “chato” e com tanta “insistência” da minha parte. Lá vem ele tocar num assunto que não interessa, dizem alguns.
Acredito que muitos já pensaram ou pensam qual o interesse que eu tenho em tudo isto? Ou pensam ou pensaram que eu quero ser um membro da Academia? Ou ser um “imortal” mortal, ou mesmo quer aparecer? Diz um velho ditado popular “Quem ama quer o bem do outro” e, eu somente quero o BEM e o DESENVOLVIMENTO CULTURAL da terra em que nasci e que amo acima de tudo, mesmo distante. A terra que não guarda memória de sua gente, dos seus feitos, da sua arte, dos seus monumentos, das suas instituições não pode ter memória para o futuro.
Como as novas gerações se portarão sem saber o que aconteceu em sua cidade, se não houver alguém que a guarde? É de responsabilidade dos que vivem no momento de ser a guardiã deste passado.
Quem de nós não se recorda do tempo da década de 40 até 70, se defino bem? Quem não se lembra do Cine Rex, dos passeios das moças e rapazes ao arredor da Praça Pedro II, nas noites do mês de Maio, da noite de Natal e do Ano Novo? Das moças desfilando e os rapazes em pé ou sentados no banco da praça enquanto outros de mãos dadas namoravam a sua amada? Quem não recorda dos bailes de carnavais no Centro Lisimaco, das noites de São João e São Pedro e as fogueiras acesas nas ruas e as crianças soltando “traque”, “chuvinha”, “estrelinha” e os mais afoitos os “peidos de veia” nas portas de suas casas? Das brincadeiras de pular a fogueira, para ser compadre? Das moças que levavam uma bacia para a beira da fogueira para ver se via o seu rosto na água parada e, se não visse ficavam nervosas? Quem não se lembra da Semana Santa na Matriz de Sagrada Família ou da procissão do Senhor morto acompanhado pelo toque fúnebre da Banda de Musica pelas ruas da cidade, à frente Padre Alfredo Pinto Damaso? Da festa de São Sebastião no Corredor e Santo Antonio lá no alto que leva o nome do Santo? Quem não se lembra dos comícios políticos na Praça Pedro II, com o Coronel Zé Abílio, Gervasio Vieira Pires e tantos outros políticos de renome do nosso Município? Das chapas brancas de votação com o nome do candidato que nós crianças apanhávamos no meio da rua e guardava com se fosse dinheiro para nossas transações de compra e venda? Da cheia do Rio Papacacinha que arrastou a Ponte do Colégio? Das internas do Colégio Nossa do Bom Conselho a darem adeus da janela aos rapazes quando passava na ponte do Rio Papacacinha em direção ao Ginásio São Geraldo Da festa pelo Centenário do Colégio de Nossa Senhora do Bom Conselho em 1953? O feito e as realizações das pessoas ilustres que deram tudo de si para o engrandecimento do Bom Conselho? Dos folhetins ou jornais que circulavam na cidade? Dos rapazes do “Tiro de Guerra”, vizinho ao Ginásio São Geraldo? É isto que devemos resgatar para a memória da cidade através de escritos e pesquisas.
O que eu desejo é que Bom Conselho se emancipe para as Letras, com a Academia Bomconselhense de Letras, onde temos grandes nomes na literatura, na poesia, nos contos, em artigos que podem ser guardados para o futuro. É questão de querer. Não podemos ficar alheios ou de braços cruzados esperando a “banda” passar, pois o tempo não espera e ele passa sem que notemos.
Há anos que venho batendo nesta tecla, e com isto torno-me perante a comunidade um “impertinente”, um “sonhador”, um “ilusionista”. Mas se alguém não falar, não lembrar sobre a criação da Academia Bomconselhense de Letras – ABCL as coisas poderão se “aposentar” e cair no esquecimento. Espero que nada disso aconteça, este é o meu desejo e meu pensamento.


José Antônio Taveira Belo / Zetinho
Olinda, 20 de junho de 2009.