| Sempre
gostei da Praça Maciel Pinheiro. Não sei, por que. Por ali
passei, por muitos anos rumo ao pensionato, que morava na Rua Barão
de São Borja, ou na Rua Leão Coroado, ou na Rua Santa Cruz
ou em outras ruas ali no bairro da Boa Vista.
Encontro-me em paz, quando chego naquele logradouro público. Sento-me
em um banco e a sombra das arvores a fim de descansar e colocar os pensamentos
em dia. Delicio-me com a fonte jorrando água límpida e cristalina,
da estátua da índia, indiferente das que observa. É
um lugar aconchegante, apesar do movimento intenso de pessoas que vai
de um lado ao outro, para algum lugar.
Ali se obtém uma tranqüilidade, numa intranqüilidade
em que vivemos por causa da violência reinante no mundo atual. A
cada momento, se observa as pessoas passando, apressadamente, cruzando
a praça sem dar conta da beleza que emana do lugar. São
seus afazeres e as suas preocupações, nada enxerga e nada
vê, somente olha sem fixar-se em coisa alguma.
Fico observando todo este comportamento das pessoas. Vez por outra, se
assentam pessoas em outros bancos da praça e ficam confabulando.
As horas passam, sem notar. As crianças de rua brincam na calçada,
pulam de alegria, ignoram a miséria em que vivem. São crianças,
mesmo triste, em outras ocasiões, mas brincam como se nada acontecesse.
Vez por outra volto o olhar para o prédio do Hotel São Domingos,
que outrora era o melhor hotel da cidade. O bilhar desapareceu, dando
lugar a uma loja de moveis; o bar existente desapareceu, em silêncio,
encontra-se outra loja de moveis e, assim por diante, é a modernidade
que chega. Olho para o relógio, 17h10min. A noite cai e as luzes
começam se acender, a padaria começa a se movimentar com
a chegada dos fregueses para a compra do pão; o Banco Bradesco,
já encerrara as suas atividades há duas horas antes, alguns
clientes usam o terminal Dia e Noite apressadamente.
Levanto-me e tomo a Rua do Hospício, já com a noite chegando.
Olho para o lado lembro do bar/lanchonete, onde tomava às minhas
refeições, aos domingos, deliciando um prato de “papa
de maizena com ovos”, que delicia.
O teatro do Parque, iluminado. Sigo adiante, andando devagar e desviando
das pessoas que passam apressados. Sigo em frente, chegando ao Parque
Treze de Maio, antes passando pelo Quartel da 7º Região Militar,
onde passei muitas horas de sentinela, na porta principal, recebendo as
autoridades militares que ali passavam, prestando-lhes continência,
hoje, Hospital Geral do Exercito.
Tudo lembranças de um passado que deixa recordações.
Apanho o coletivo, que desliza pela Rua Princesa Izabel até o centro
do Recife, já com as suas luzes acesas. Chego a casa, em Olinda,
por volta das 19h00min.
José
Antonio Taveira Belo / Zetinho
E-mail - taveirabelo@hotmail.com
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