"PADRE ALFREDO EM VISITA A ORORUBA"
 

Folheando o Livro “PESQUEIRA E O ANTIGO TERMO DE CIMBRES” do cronista e pesquisador José de Almeida Maciel do Centro de Estudos da História Municipal, editado pela UFPE – 1980 – encontramos o seguinte texto:

“O Padre Alfredo Damaso em visita a Ororubá ”.
Ato reparatório que urge providência

Somente agora, acerca de um mês decorrido, soubemos da visita feita a Serra de Ororubá pelo Padre Alfredo Damaso, vigário de Bom Conselho, acompanhado de um funcionário do S.P.I.
S. Revdma. Bem merece o qualificativo de etnógrafo, dados os seus conhecimentos relativos aos usos e costumes dos caboclos residentes em Águas Belas, inclusive a linguagem dos mesmos.
Em conversa com alguns habitantes serranos, entre os quais Antônio Mendes Sobral e Romão da Hora, anotou o Padre Damaso numerosos vocábulos xucurus, com a finalidade, já se vê, de estabelecer identificações lingüísticas. Tratou, igualmente, dos direitos, até agora postergados, dos descendentes dos heróis que derramaram o sangue no campo da luta no Paraguai durante a tremenda guerra em que o Brasil foi envolvido.
Desde muitos anos, em virtude de lei federal, as viúvas e filhos desses heróis têm direito a uma pensão mediante a apresentação de documentos hábil, como seja a baixa do serviço, etc. Os nossos conterrâneos da serra de Ororubá, antigos componentes do “30 de Voluntários”, já desapareceram todos, restando apenas um ou outro filho.
Lembramo-nos de alguns: brigada Zeferino Araújo, condecorado com a medalha de campanha, residente em Afetos; cabo Aquilino Cardoso, morador à rua hoje denominada 30 de Voluntários; José Mendes Sobral, de Santana; Os Rodrigues, os Piranhas, de Cana Brava, além de outros que já não percorrem a memória.
Antonio Mendes Sobral, acima referido, é filho do veterano José Mendes Sobral, tem 68 anos de idade, trabalha na enxada para viver sem mendigar o pão. Pai de família, homem de bem, mesmo cancelados os seus direitos, far-se-ia digno da proteção do Poder Publico.
Confiantemente, fez entrega da baixa do seu genitor a um Sr. Sales, residente em Garanhuns, prometendo o mesmo advogar os seis direitos. Faz isto alguns anos e de nada mais veio noticia. Agora o Revmo. Padre Damaso, que conhece o depositário dos documentos, tomou a cargo pleitear os direitos de Antonio Mendes Sobral, surgindo assim uma esperança de justa reparação a que faz jus o beneficiário até o momento espoliado, como provavelmente outros, pelo mesmo motivo e em igualdade de direitos.
Fazemos, de nossa parte como órgão de imprensa, veemente apelo ao Exmo. Dr. Getulio Vargas, Presidente da República, para que ampare, quanto antes, por tratar-se de um valetudinário, a causa de Antonio Mendes Sobral, filho do índio xucuru José Mendes Sobral, que honrou ao lado dos seus companheiros, comandados pelos bravos capitão, depois general, Apolinário Maranhão e coronel Apolônio Peres da Gama, o nome da sua e nossa pátria nas regiões paraguaias em Lomas Valentinas, Angostura, Perebebui, Campo Grande.
Será um ato reparatório digno de aplausos, a concessão do auxilio a começar da promulgação da lei, ao velho caboclo Antonio Mendes Sobral, como a outros por ventura existente e até os momentos desamparados.

(Artigo publicado no jornal “A Voz de Pesqueira” edição 16/12/51).

José Antonio Taveira Belo / Zetinho
E-mail - taveirabelo@hotmail.com

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