O CIRCO
 

Vez por outra aparecia um circo na cidade de Bom Conselho para a alegria de toda a população, principalmente da criançada que adorava a correr atrás dos palhaços pelas ruas da cidade todos fantasiados com suas roupas coloridas e extravagantes, com o rosto pintado e sempre com um nariz redondo vermelho. A cabeleira era postiça e encaracolada muita das vezes dourada ou avermelhada para chamar mais atenção das pessoas, a sapatilha alongada com bico fino em cores vermelha e branco dando uma característica de “pé de pato” com meiões listrados de amarelo, vermelho e azul.. Outros, andavam se equilibrando em “pernas de pau” destacando-se pela altura. Todos gritavam e gesticulando muito se fazendo ouvir pelos acompanhantes, O palhaço gritava “Hoje tem espetáculo”? Tem sim senhor, respondia as crianças pulando de alegria. E, o palhaço dizia “Às 8 horas da noite” E, as crianças repetia, Tem sim senhor! E assim aquela procissão subia pela Rua das Águas Belas, circulando a Praça Pedro II e descendo pela Rua Sete de Setembro contornando a Praça da Bandeira indo para o Alto de Santo Antonio, onde se encontrava o circo “armado”.
O circo chegava em vários caminhões e paravam em frente à Capela de Santo Antonio, no Alto do mesmo nome e lá descarregava, sob os olhares de curiosos, toda sua tralha, mastro, cordas, tabuas, cadeiras, e começavam a trabalhar armando primeiramente as “tendas” onde os “artistas” ficavam hospedados, enquanto outros eram destinados para “armar” o circo para o espetáculo de estréia que se daria às 8 horas da noite como anunciava os palhaços pela ruas da cidade.
Toda população se preparava para assistir a estréia e muitos lá iam antes comprar o ingresso. Os mais favorecidos compravam os “camarotes” logo junto ao picadeiro, lugar privilegiado para certa parcela da comunidade, os intermediários compravam as “cadeiras” logo atrás dos “camarotes” e o povão compravam o ingresso para o “puleiro” onde assistia ao espetáculo em tabuas corrediças ao redor do circo.
Lá no Alto de Santo Antonio se encontrava o circo todo iluminado. O mastro no meio da empanada com listras azuis e amarelas, ostentava uma “bandeira vermelha com um cavalo preto” cercada de luzes amarelas. As bilheterias estavam abertas e algumas pessoas que não tinha comprado o ingresso para o espetáculo de estréia iam chegando para adquirir o seu passaporte e assim se deliciar com a trapalhada dos palhaços, das moças do trapézio em traje menores (maiô) coloridos, dos mágicos em seu peculiar traje de “fraque” e “cartola” preta de onde tirava “rolinhas”, lenços vermelhos ou azuis, coelhos, fazendo a platéia delirar com um ôôôôôô!!!!!... prolongado e para o enceramento da noitada o “drama” que seria apresentado no final do espetáculo em três atos sobre uma história de “amor” de “vingança” onde os espectadores às vezes choravam ou riam com a dramaticidade.
Eu, ainda criança participava do acompanhamento dos palhaços pelas ruas da cidade. “A noite ficava na espreita de poder assistir o espetáculo, no entanto, dizia os meus pais Nedi e Antonio, que o circo era para gente ‘grande” e, assim os meus sonhos não se realizavam, apenas ficavam em acompanhar no outro dia os mesmos palhaços pelas ruas da cidade, era o meu espetáculo, como de alguns meninos da época.


José Antonio Taveira Belo / Zetinho





 

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