COLUNA " ROBERTO LIRA
 



A dificuldade de nos comunicarmos




Quando tentamos ir além da nossa comunicação trivial, torna-se extremamente difícil compreendermos uns aos outros ao expressamos algo com significação mais profunda.
Usualmente, empregamos a palavra articulada ou escrita para fazer efetiva nossa comunicação. Por falta de eloqüência, muitas vezes, utilizamos palavras que talvez tenham para os outros um significado diferente do que tem para nós. Surge, então, a primeira dificuldade de nos comunicarmos. É necessário deixarmos de lado linguagens técnicas, particulares de determinada ciência, filosofia ou religião e nos capacitar, para nos expressarmos, utilizando palavras simples que usamos na vida diária, pois nenhuma modalidade de expressão técnica ou particular nos ajudará a resolver esse difícil problema.
É dificílimo compreendermos uns aos outros, de maneira eficaz, se não desenvolvermos a arte de escutar ou ler sem preconceitos, e esta é a segunda dificuldade de nos comunicarmos. É dificílimo deixarmos de lado nossa formação intelectual, nossos preconceitos, nossas resistências, nossas inclinações, ultrapassando os limites da linguagem e escutar ou ler de maneira a compreender o que nos é apresentado. Por outro lado, quando nos encontramos em estado de receptividade mental compreendemos as coisas com facilidade. Esse estado só é alcançado ao afastamos da nossa mente as preocupações diárias, nossos temores e desejos do dia a dia, nossos preconceitos científicos ou psicológicos, espirituais ou religiosos. Essas coisas são como uma cortina que nos impede de ver com clareza o que nos é apresentado.
A Verdade frequentemente nos é apresentada sob formas as quais não estamos habituados e, a não ser que Ela nos venha sob a forma de uma linguagem a qual estamos habituados, somos inclinados a rejeitá-la inconsideradamente. Todos nos queremos que a Verdade nos apareça sob uma forma particular, adornada de uma fraseologia também particular. Mas, a sabedoria adverte, a Verdade é tão sutil, provoca tanta ilusão que somente uma mente e um coração puro pode dela aproximar-se e recebê-la livre e plenamente.
Se durante uma dissertação, algo é comunicado e estar em oposição a nossa maneira de pensar e a nossa crença, devemos escutar ou ler assim mesmo; não ofereçamos resistência. Quem comunica pode estar com a razão, ou sem ela; mas ao escutar ou ler despido de nossos preconceitos, de maneira acolhedora e coração aberto, talvez, cheguemos a descobrir o que é verdadeiro.
Roberto J. T. Lira
03/08/2009