COLUNA " ROBERTO LIRA
 



Impulso para escrever



Hoje acordei e refletindo sobre a vida, fui surpreendido pela lembrança que não teria com quem dividir o resultado dessas reflexões. O meu “amigo-irmão” Marlos não podia mais ser o meu grande “ouvidor”. Talvez sua mente, dissolvida no inconsciente coletivo, possa captar essas reflexões, mas com certeza, não terei o retorno de seus comentários, pelo menos não diretamente. Então, me aflorou uma imensa vontade de grafar as referidas reflexões. Como nunca me animei a escrever, penso que saudoso do meu “amigo-irmão” fui influenciado pelos pensamentos da sua veia literária. *Impulso para escrever. *

Sempre deixei minhas reflexões sobre a vida fluírem naturalmente como as ondas oceânicas de superfície. Estas provocadas pelo vento, aquelas provocadas pelas vivências diárias. Apesar de não ser especialista em ondas, só me interessei por estas quando praticante de prancha a vela, no litoral do meu Pernambuco, vou tentar fazer algumas analogias entre as ondas oceânicas de superfície e minhas reflexões sobre a vida.

A regularidade no intervalo entre as ondas é complexa, ora as séries são de ondas pequenas com um período curto alternando com ondas maiores com períodos mais longos. Essa (ir)regularidade nos dá uma idéia, ainda que grosseira, da distância das tempestades ou calmarias que as geraram. Penso que de forma semelhante, a observação atenta dos pensamentos que alimentam nossas nossas vivências diárias podem nos indicar as realizações presentes e futuras, bem como, as alegrais e tristezas que há de nos advir.

Quando o fundo de uma costa é bem inclinado, ondas pequenas rebentarão próximo da costa. Já quando a inclinação é mais suave, as ondas rebentarão mais longe dela. Assim, o local de rebentação das ondas é um bom indício para sabermos qual é a profundidade da água. Será que pela observação das manifestações e ações exteriores de um ser podemos conhecer a grandeza de seu interior? Penso que sim. Se estivermos atentos e as observações forem criteriosas, será grande a possibilidade de identificarmos a essência de seu interior, ou seja, o verdadeiro ser.

O tamanho das ondas depende da força do vento, do tempo que o vento sopra numa só direção e da área de mar aberto em que o vento sopra sobre a água. E a grandeza de um ser depende de que? Penso que, talvez, dos pensamentos que abriga, pois são estes que regem sua conduta. Da sua herança espiritual, pois esta favorece a atração de pensamentos mais nobres. Da compreensão e respeito às Leis Universais, pois estas expressam o pensamento do Criador.
Do esforço que realiza para manter toda forma de vida neste planeta, pois esta é Vontade Dele. Do zelo com o corpo que lhe foi destinado para expressão de sua vida, cuidando da sua alimentação e das atividades físicas. *Enfim, ser e não ter.*

*Roberto J. T. Lira*

*01/08/2009*