|
A
Saga de Um Bicicleteiro
e o Causo ”A Bicicreta” de Geraldinho de Goiás
|
Inspirado
num causo, contado por Geraldinho de Goiás, é que
resolvi escrever essa prosa. Após alguns meses que eu tinha
aderido ao ciclismo de montanha, um amigo me deu uma cópia
do CD com causos contados pelo Geraldinho de Goiás (procurei
o original pra comprar, mas nunca achei). Nesse CD, entre outros,
ele conta o causo “A Bicicreta”. Este causo, várias
vezes, me fez sentir muita dor, mas, era dor no abdome de tanto
rir. Se alguém gosta de sentir dor no abdome, e já
viveu alguma aventura numa bicicleta, com certeza vai se interessar
em escutar esse causo e, espero, tenha muita dor no abdome. |
Para isto, não é necessário ler o que segue logo
abaixo, relativo à saga do bicicleteiro. Pode ir direto para
o link disponibilizado no final do texto, que vai dar risada do mesmo
jeito.
A Saga de um Bicicleteiro: |
 |
Outro
dia, faz uns cinco anos , numa visita que fiz a uma filha que mora
em São Paulo, ganhei de presente dela uma bicicleta. Era
uma bicicleta que ela tinha dado de presente de Natal ao marido,
fazia uns dois anos. Ele, no dia que recebeu o presente, montou
na “magrela”, deu uma voltinha dentro da garagem do
prédio e pendurou-a na parede, e ali ela permaneceu. Na referida
visita, minha filha disse: – “Pai, o Nagamine não
usa essa bicicleta, faz dois anos que ela está pendurada
na garagem. |
Leva
ela para Uberlândia, lá a “coitadinha”
tem mais chance de dar umas voltinhas.” Trouxe a “coitadinha”
pra ela poder dar umas voltinhas aqui em “Berlândia”
(como dizem os mineiros). Mas, a “coitadinha da magrela”
passou mais dois anos esquecida em um canto no meu “apê”.
|
Tenho
outro genro, que mora em “Berlândia”, o Thiago,
que é fanático por mountain bike. Todo sábado
e domingo ele saia com os amigos para pedalar pelas trilhas da região.
Um dia, pensando em melhorar minha condição física,
visando uma melhoria no meu jogo de tênis, falei pro Thiago:
Thiago, quando você for pedalar com uma turma mais “fracotinha”
me avisa que eu vou com você. Quero dá umas pedaladas
para melhor a minha resistência física. Ele falou:
– “Seu Roberto, domingo nós vamos na cachoeira
de Sucuripa. Fica perto e o senhor vai dar conta de nos acompanhar,
numa boa.” Lá fui eu. O percurso era um estradão,
sem muita subida. Fui apreciando a paisagem e a turma de vez em
quando dava uma maneirada me esperando.Aguentei beleza.
No domingo seguinte, incentivado pelo genrinho, lá fui eu
de novo. Dessa vez a trilha era conhecida por “Trilha da Serrinha”.
Depois de pedalarmos uns 20 km chegamos na tal da “Serrinha”;
aí a coisa ficou preta. Pra mim, não tinha nada de
serrinha; era uma subida de uns 3 km e empinada pra dedeu. Logo
no inicio da subida eu já tinha descido da “magrela”
e começado a empurrá-la. Passou um casal por mim,
olhou de lado e disse: – Eu acho melhor o senhor montar e
pedalar, porque falta muito pra chegarmos lá em cima. Como
eu não tinha nenhum santo para me acudir, o primeiro pensamento
que me acudiu foi ligar pra filha “namorida” do Tiago
e pedir pra ela me resgatar. Sacudi a cabeça, para espantar
esse pensamento, cerrei os dentes e falei pra mim mesmo: só
vão me resgatar no diabo desse serrinha se eu desmaiar. Continuei
devagarzinho, respirando fundo. Nos trechos onde a inclinação
era mais suave, montava e dava umas pedaladas. Enfim, consegui chegar
ao final da tal “Serrinha”. A turma estava toda me esperando,
deviam estar sentado na sobra de uma árvore há um
tempão. Achei que eles iam tirar um sarro da minha cara.
Que nada, me deram a maior força. Tenho certeza que o que
eles queriam era me fisgar para fazer parte da turma.
Durante a semana, recordando das conversas que escutei durante o
percurso, cheguei a seguinte conclusão: meu desempenho nas
trilhas só poderia melhorar com uma bicicleta mais leve,
com uma geometria que favorecesse nas subidas, etc. Aquelas conversas
de bicicleteiro metido a besta. Não pestanejei, chamei o
genrinho pra me orientar na escolha, fui numa loja e comprei uma
bicicleta “decente”. Aproveitei a empolgação
e comprei, também, sapatilha, pedal com “clip”
e outros penduricalhos. A loja abocanhou quase o salário
de um mês, mas divididinho em 6 parcelas, falei: que seja.
Passei a acompanhar a turma do Thiago, todo domingo. Um tempo depois
todo sábado e todo domingo. Se ele não fosse eu ia
assim mesmo encontrar a turma A essa altura, meu interesse pelo
jogo de tênis, que era o motivo para ter ido dar as primeiras
pedaladas, já tinha ido pras cucuias. |
 |
Depois
de uns seis meses, já era um “veinho” bom de
pedal nas subidas, assim diziam os mais novos, mas era covarde nas
descidas. De novo, escutando aquelas conversas dos “bikers”
(biker é o nome chique para bicicleteiro metido a besta)
conclui que para acompanhar a turma nas descidas precisava de uma
bike full suspension (suspensão na frente e atrás),
com freio a disco e o escambao. Pimba, o vírus dos bicicleteiros
tinha me contaminado. Resolvi montar uma mountain bike com tudo
que tinha direito: suspensão top na frente, suspensão
com “brain” atrás. É, ela tinha um dispositivo
inteligente na suspensão traseira para ler o terreno, já
pensou, freio a disco e o escambao. Me endividei até a alma.
Tinha sido muito mais barato ter comprado um carrinho popular, mas
fazer o quê? A essa altura, já estava possuído
pelos “virus” dos bicicleteiros. Etava mesmo fissurado
pela “tar bicicreta”.
|
Depois
de algumas trilhas com a bike dos sonhos, comecei a ficar afoito
nas descidas. As danadas das suspensões “engoliam”
tudo que era buraco, pedra, pau, o que tivesse na frente e quando
precisava diminuir a toada, o danadinho do freio a disco não
me deixava na mão. Se bem que, de vez em quando tomava uns
“capotes”, caía num “mata burro”,
batia com cabeça numa árvore em arvore (ainda bem
que eu usava capacete, não era igual ao do Felipe massa,
mas evitava o pior) e outras cacetadas mais. De vez em quando chegava
em casa todo esfolado, mancando. Aí a patroa e as filhas
só não me chamavam de santo (ainda bem), mas maluco,
irresponsável e palavrões assemelhados, ouvia tudo.
Nesses momentos, o Thiago se escafedia com medo que a tropa de choque
lá de casa (a mulherada) o culpassem por ter me desencaminhado
do tênis. |
 |
Além
da turma do Thiago, me enturmei com outros bicicleteiros. Num feriadão,
com essa nova turma fui pra Serra da Canastra – Sonho de consumo
de qualquer trilheiro: biker, motoqueiro, jipeiro, cavaleiro, andarilho
e outros bichos mais. Chegamos à noite, no dia seguinte cedinho,
com o grupo todo reunido no pátio da Pousada da Vanda, o
organizador da viagem falou: Vocês que estão acostumados
nas trilhas de Uberlândia esqueçam aquilo lá,
esqueçam Serrinha, Serrão, Trilha das Pedras e outras
mais. Aqui é CANASTRA. CANASTRA, AQUI O BICHO PEGA..
Outro dia eu conto o resto dessa Saga do Bicicleteiro. Agora tenham
um boa dor no abdome a custa do Geraldinho de Goiás. É
só clicar no link do site abaixo. Agora fui ... jogar tênis.
http://recantodasletras.uol.com.br/audios/humor/12642
Roberto
José T. lira
|
| |
|
|
|